Preço do leite sobe, mas custos e escassez de mão de obra ainda desafiam produtores

Os produtores de leite estão comemorando uma leve alta no preço do produto, mas enfrentam sérios gargalos que ameaçam a sustentabilidade da atividade. Custos crescentes, especialmente com insumos e combustível, e a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada são os principais obstáculos apontados por lideranças do setor.

Segundo Armando Rabbers, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, o valor médio de referência do leite passou de R$ 1,94 o litro no início do ano para R$ 2,60 atualmente, conforme dados do Conseleite/PR. No entanto, ele ressalta que os custos de produção também aumentaram, com destaque para taxas de juros e combustível. “O produtor precisa buscar melhorias na propriedade e, ao mesmo tempo, diminuir seus custos para se manter sustentável”, afirmou durante a Agroleite, em Castro (PR).

João Galvão Prestes, produtor em Castro, à frente da Fazenda São Thomé, que produz 23 mil litros de leite por dia com 510 vacas em lactação, relata que mantém investimentos em genética e controle sanitário, mas que o preço dos insumos, especialmente da alimentação do rebanho, representa a maior parte dos custos. A maior dificuldade, porém, é encontrar mão de obra que permaneça tempo suficiente para aprender e se formar na prática.

Jussara Liebel, produtora em Piraí do Sul (PR), do Recanto dos Passarinhos, referência em genética Jersey, com 139 animais em lactação e produção diária de 3 mil litros, concorda. “O mais complicado hoje é encontrar mão de obra qualificada, que vista a camisa. Por causa disso, não conseguimos aumentar muito o rebanho.”

No sul de Minas Gerais, Fernando de Azevedo Reis, produtor há 38 anos em Piranguinho, também aponta a mão de obra como um dos maiores problemas. “A geração mais nova não tem interesse em ficar no campo e levantar de madrugada. Estão em busca de outras coisas.” Ele menciona ainda a queda no consumo de leite como fator preocupante, com a tabela de bonificação caindo e a demanda reprimida.

Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Paraná), a diversificação da produção leiteira, como a fabricação de queijos, pode ser uma estratégia para aumentar a rentabilidade. Ele cita o Prêmio Queijos do Paraná, que já proporciona aumento de 50% a 60% no valor dos queijos premiados. Meneguette também defende a implantação de mecanismos como o pagamento por sólidos, para melhorar a precificação.

Atualmente, o custo de produção no Paraná fica em torno de R$ 2,20 por litro, enquanto o valor de referência é de R$ 2,60. No Rio Grande do Sul, o Conseleite/RS projetou R$ 2,50 por litro para julho. Marcos Tang, presidente da Gadolando, avalia que a remuneração atual permite recuperar parte da rentabilidade perdida, mas ainda é insuficiente para segurança no longo prazo. Um preço próximo de R$ 2,80 por litro seria mais compatível, segundo ele.

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