Produtor de cacau no sul da Bahia inaugura loja própria de chocolate e diversifica renda

O produtor Carlos Tomich, proprietário da Fazenda Capela Velha, localizada em Uruçuca, no sul da Bahia, desde 2010, acaba de adicionar uma nova fonte de receita ao seu modelo de verticalização da produção de cacau. Em junho, ele inaugurou uma loja em Ilhéus, a 39 km da fazenda, para comercializar chocolates bean to bar e outros derivados do cacau produzidos na agroindústria da propriedade de 140 hectares.

A fazenda, que foi uma das pioneiras do turismo rural na região e hoje integra a Rota do Chocolate (BA-262), já contava com três fontes de renda: o plantio de cacau, a industrialização e o agroturismo. Agora, o comércio se torna o quarto pilar do negócio.

“Em seu primeiro mês, a loja na cidade já faturou mais que a lojinha da fazenda, onde recebemos em torno de 80 pessoas por mês para conhecer o ciclo completo do chocolate, desde a produção no campo até a fabricação”, afirma Carlos. No ano passado, o faturamento com chocolate foi de R$ 3,9 milhões, e a expectativa é de um crescimento de 10% a 15% com a nova unidade.

O produtor, que já investiu mais de R$ 6 milhões na fazenda — incluindo renovação de pés de cacau abandonados, construção da indústria, instalação do comércio e compra de equipamentos —, planeja expandir o modelo para outras cidades baianas. A próxima loja deve ser instalada em Itacaré, importante polo turístico.

Mineiro de Teófilo Otoni, Tomich chegou à região atraído pelo baixo preço das fazendas após a praga vassoura-de-bruxa ter derrubado a produção de cacau. Ele comprou a Capela Velha, que tinha 80 hectares de cacau cabruca abandonado, e iniciou a renovação. Dez anos depois, construiu a fábrica e abriu para visitação. Durante a pandemia, o espaço fechou por seis meses, mas, desde a reabertura, o número de turistas cresce anualmente.

A produtividade dos pés de cacau varia de 10 arrobas por hectare nos pés antigos a 100 arrobas nas lavouras renovadas com o sistema agroflorestal, onde os cacaueiros são plantados entre árvores como o açaí. No ano passado, metade dos cerca de 18 mil quilos de cacau produzidos foi usada na fabricação de chocolates da marca Docacau e outros produtos como nibs, geleia, melaço, licor e chá. A estratégia é aproveitar 100% do fruto.

Além das lojas, Carlos comercializa cacau fino com chocolatiers de vários estados e envia o excedente como commodity para a indústria, que paga cerca de R$ 350 pela arroba. Já o cacau fino vale R$ 69 o quilo. O agricultor destaca que aprendeu a lidar com a volatilidade do preço e tornou o negócio rentável graças à agregação com turismo rural, indústria e comércio.

“Viemos de uma estabilidade de cinco anos antes do pico de US$ 10 mil por tonelada em 2024, que sabíamos que não era preço real. Agora voltou para um patamar sustentável, de US$ 350 a US$ 380 a arroba, e estamos investindo na renovação de mais 25 hectares. O plano, além de abrir mais lojas, é completar a renovação dos 80 hectares, eliminando as áreas de pasto”, afirma.

Neste ano, Carlos está retendo um pouco mais de cacau especial na fazenda, que também possui plantação de açaí e uma área de reserva legal superior a 20%, como precaução contra os impactos do El Niño. A prioridade é usar as amêndoas da própria fazenda na fabricação de chocolate e derivados para venda nas lojas.

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