Parlamentares do agro criticam relatório da MP das dívidas, mas Farsul aponta avanços

Lideranças do agronegócio estão divididas em relação ao parecer da Medida Provisória que trata da renegociação das dívidas rurais. Enquanto a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) critica o texto apresentado pelo relator, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) avalia que o documento traz correções importantes.

O relatório foi apresentado na segunda-feira (28/9) e rejeita todas as emendas ao texto original, propondo um Projeto de Lei de Conversão como alternativa. A FPA afirma que a medida reduz a efetividade da MP e mantém entraves para os produtores rurais, especialmente em relação a juros, prazos, garantias e ao fundo garantidor das operações.

“A rejeição de importantes emendas pelo relator mantém entraves que já vêm limitando o alcance da renegociação das dívidas rurais”, destaca a FPA em nota. Segundo os parlamentares, a MP 1.376/2026 ainda não apresentou resultados satisfatórios: de um estoque de dívidas superior a R$ 100 bilhões, apenas R$ 5,27 bilhões foram renegociados em pouco mais de 43 mil operações. Em 2025, mais de 14 mil imóveis rurais foram levados a leilão.

“O produtor rural precisa de juro viável, crédito que chegue, seguro que proteja, contrato que valha e garantias justas. Manter uma renegociação que não funciona na ponta é um risco para a agropecuária nacional e para o país”, alerta a FPA.

Farsul vê avanços

Já a Farsul, em nota técnica, reconhece que a MP 1.376 atendeu a uma pequena parcela do endividamento dos produtores gaúchos. As operações contratadas no Rio Grande do Sul somam R$ 4,47 bilhões, ante um total de dívidas de R$ 45 bilhões. Ainda assim, a entidade avalia que o relatório corrige algumas distorções na MP original, como a extensão da data de corte das renegociações para 31 de agosto de 2026 (antes era 31 de maio) e a inclusão de linhas de crédito de capital de giro e emergenciais refinanciadas fora do crédito rural, além de Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas em favor de cooperativas e revendas de insumos.

“O parecer do deputado Paulo Pimenta corrige pontos importantes”, afirma a Farsul, ressaltando que o alcance do novo texto depende da votação no Congresso, da regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da análise de risco dos bancos.

Pressa na votação

A validade da MP vai até 11 de novembro, e o texto precisa ser votado na Comissão Mista, nos plenários da Câmara e do Senado, além de passar por sanção presidencial. A Farsul defende a votação do relatório até a quinta-feira (1/10), três dias antes do primeiro turno das eleições. Caso não ocorra, a lei chegará depois do plantio da safra de verão.

“Iremos concentrar esforços para que o tema vá à votação ainda nesta semana no Congresso Nacional. A situação é de emergência e necessita agilidade, o período do plantio da safra de verão já iniciou”, afirma o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes.

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