A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) suspendeu temporariamente a retirada de ostras destinadas ao consumo humano em áreas de cultivo no município de Guaratuba, litoral do Paraná. A decisão foi tomada após análises laboratoriais identificarem concentrações de ficotoxinas do grupo do ácido okadaico acima do limite máximo recomendado.
As ostras da região, conhecidas como ostras do Cabaraquara, conquistaram em outubro de 2025 a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), na modalidade Indicação de Procedência (IP). A suspensão, no entanto, levanta preocupações sobre a reputação do produto, que é reconhecido pela qualidade e sabor.
De acordo com a Nota Técnica 03/2026 do Departamento de Saúde Animal da Adapar, divulgada em 23 de outubro, a toxina é produzida pela microalga Dinophysis, que pode se acumular em moluscos bivalves como ostras, mexilhões, vieiras e berbigões. O consumo de produtos contaminados pode causar intoxicação alimentar, com sintomas como diarreia, náuseas, vômitos e dores abdominais.
A diretora-geral da Secretaria Municipal da Pesca de Guaratuba, Elisangela Octaviano, informou que a suspensão abrange oito produtores da região do Cabaraquara, além de famílias que realizam atividades extrativistas na Baía de Guaratuba. A produção local é estimada em aproximadamente 80 mil dúzias anuais de ostras, com maior volume no verão.
“Não temos dados consolidados para estimar o volume de ostras que seriam comercializados nesse período específico de suspensão”, explicou Elisangela. Ela também destacou que o município teme que a divulgação da suspensão comprometa a reputação do produto, que obteve a IG justamente pela qualidade e seriedade dos produtores.
A diretora atribuiu a presença da microalga às condições ambientais, como os volumes excessivos de chuvas registrados nos últimos meses. Enquanto a suspensão vigorar, os ostreicultores buscam alternativas de renda, e muitos, que possuem restaurantes, estão oferecendo pratos à base de camarão e pescados.
O veterinário Cláudio Cesar Sobezak, chefe da divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Adapar, afirmou que a região será monitorada periodicamente até que os níveis de toxinas voltem à normalidade. Ele alertou os consumidores sobre a comercialização clandestina e os riscos à saúde.
A suspensão vale para as áreas oficialmente interditadas e permanecerá vigente até que os monitoramentos laboratoriais e os procedimentos de desinterdição permitam a retomada da atividade. As demais áreas monitoradas continuam sob avaliação sanitária regular.