Abitrigo alerta para oferta instável de trigo no Brasil em 2026/27

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) divulgou nota nesta sexta-feira (31/7) manifestando preocupação com a oferta de trigo no mercado brasileiro para a safra 2026/27. Segundo a entidade, as tensões internacionais decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, aliadas às condições climáticas adversas no Brasil, configuram um cenário de “forte instabilidade”.

“O Brasil não é autossuficiente em trigo e, por isso, qualquer turbulência externa tem impacto direto sobre custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

A associação destacou a previsão de redução de 23,5% na área cultivada este ano, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que deve elevar as importações em 1,9 milhão de toneladas em 2027. “Estamos diante de um cenário que combina menor oferta interna, maior necessidade de importação e custos internacionais mais elevados. Isso aumenta significativamente a complexidade da operação das indústrias moageiras”, completou Barbosa.

Outro ponto de preocupação é o valor do farelo de trigo, pressionado pela queda nos preços do milho. “Quando o farelo perde valor, parte importante da receita da indústria é afetada. Isso acaba pressionando o custo final da farinha e, por consequência, de diversos alimentos consumidos diariamente pela população”, explicou.

Apesar do cenário, a Abitrigo descarta risco de desabastecimento. “A segurança do abastecimento de trigo passa por planejamento, gestão de riscos e acompanhamento constante dos mercados. O setor está mobilizado, mas o contexto exige vigilância permanente”, concluiu Barbosa.

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