ADM vai produzir biometano a partir de resíduos de soja em Campo Grande para reduzir consumo de gás natural

A multinacional americana Archer Daniels Midland (ADM) anunciou planos de utilizar os resíduos de sua fábrica de proteína de soja em Campo Grande (MS) para produzir biometano, substituindo parte do consumo de gás natural da unidade. A iniciativa faz parte dos esforços da companhia para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e aumentar a autossuficiência energética.

A estação de biometano será instalada na própria planta industrial, que produz proteína de soja destinada à indústria alimentícia. Embora a ADM não tenha divulgado o valor do investimento nem a capacidade de produção, a empresa afirma que a medida permitirá substituir 15% do consumo de gás natural da unidade. Com isso, as emissões de gases de efeito estufa da planta sul-mato-grossense devem cair 5%, e as emissões totais da ADM na América Latina, 0,7%.

Globalmente, a ADM tem a meta de reduzir suas emissões nos escopos 1 e 2 em 25% entre 2019 e 2035. A produção de biometano a partir de resíduos orgânicos é um passo importante nessa direção.

“Ao utilizar o resíduo gerado atualmente pela planta, conseguimos dar uma destinação sustentável ao gás que seria queimado para eliminar compostos tóxicos, como é comumente feito no setor atualmente. Além de contribuirmos para a redução dos impactos ambientais de nossa produção, ampliamos a autossuficiência da planta, por meio do tratamento de um efluente antes totalmente subutilizado”, disse Guilherme Rissi, comprador sênior de energia elétrica da ADM no Brasil.

Atualmente, a unidade de Campo Grande já gera biogás, mas ele é queimado em flare, liberando gases na atmosfera. Com a biodigestão, o metano contido no biogás será aproveitado, emitindo apenas gás carbônico (CO₂) de origem biogênica. “Diferente do CO₂ de origem fóssil, ele apresenta um ciclo curto de carbono e não adiciona carbono novo acumulado ao meio ambiente”, explicou Filipi Randi, Gerente de Projetos de Tecnologia Industrial da ADM.

O sistema será montado em parceria com a 3Di Biogás, empresa brasileira sediada em Foz do Iguaçu (PR) e integrante do grupo italiano Pietro Fiorentini. A tecnologia inclui uma estação de lavagem de gases que dessulfuriza o gás e remove o CO₂, utilizando membranas poliméricas de poliimida para separar o metano. O biometano resultante terá pureza de 2,5% e atenderá às especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo Randi, no futuro será possível instalar um módulo adicional para tratar o CO₂, recuperar o metano residual e purificar e liquefazer o CO₂, que poderá ser comercializado dependendo da viabilidade técnica e econômica.

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