Agroecologia mantém jovem no campo: sistema agroflorestal com 50 espécies em Quinze de Novembro (RS)

Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre, 27/09/2026

Carolina Richter, de 21 anos, encontrou na agroecologia a oportunidade para construir seu próprio caminho sem precisar deixar o meio rural. Criada em uma família de pequenos produtores de grãos e leite, em Quinze de Novembro (RS), ela cresceu entre a lida no campo e a produção artesanal de biscoitos da família. No entanto, ao concluir o ensino médio, o futuro na propriedade de 2,5 hectares parecia incerto, já que ela não se identificava com a lavoura de grãos nem pretendia assumir a agroindústria familiar.

“Eu não sabia o que queria, se iria fazer faculdade de agronomia ou biologia, mas daí teria que sair daqui e ir morar em outra cidade”, afirma.

A mudança de planos ocorreu aos 17 anos, durante um curso de formação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag). Foi ali que Carolina teve o primeiro contato com a agroecologia. “Foi um choque, porque até então eu ainda não tinha me identificado como agricultora. Nesse momento nasceu uma vontade muito grande de ficar no campo”, relata.

Motivada pelo aprendizado, a jovem propôs aos pais a diversificação do espaço. Com o apoio da família, recebeu uma área de 3.000 metros quadrados – que batizou de Sítio Terra do Coração – para implantar um sistema agroflorestal voltado ao cultivo de mais de 50 espécies de plantas, especialmente ervas medicinais e frutas, com as quais ela produz óleos essenciais.

A fim de viabilizar a produção, buscou incentivo como o Feaper Jovem (um fundo estadual de apoio aos pequenos produtores), com o qual adquiriu um triturador de galhos. E em parceria com a prefeitura local, a propriedade recebe resíduos de podas urbanas para a geração de matéria orgânica, garantindo a cobertura do solo e a sustentabilidade dos canteiros.

Hoje, é no cultivo agroecológico que Carolina enxerga sua real vocação e independência financeira. “Se não fosse essa oportunidade de trabalhar com a agroecologia, talvez não estivesse mais na propriedade.”

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