Agroindústria brasileira cresce 1,8% em abril e absorve impactos da guerra no Irã

Em abril, a produção agroindustrial brasileira registrou alta de 1,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro). Com esse resultado, o indicador acumulou expansão de 0,7% nos primeiros quatro meses de 2026, após um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre.

O avanço foi puxado principalmente pela produção das indústrias de produtos alimentícios e bebidas, que cresceu 2,4% em abril. Dentro desse segmento, o destaque ficou com a fabricação de itens de origem vegetal, que saltou 7,3%, impulsionada por setores como açúcar, trigo e café. Esse desempenho contrasta com a retração de 8,4% registrada um ano antes.

Já a indústria de produtos não alimentícios cresceu 1%, alcançando o segundo mês consecutivo de alta. Segundo os pesquisadores do FGV Agro, esse resultado se deveu exclusivamente ao forte desempenho da produção de biocombustíveis, que disparou 51,3%. O avanço foi atribuído ao aumento da moagem de cana-de-açúcar, à melhoria da qualidade da matéria-prima e à maior demanda por etanol, que se tornou mais atrativo em relação à gasolina.

Por outro lado, a produção de bebidas recuou 1,8% em abril, com destaque para a retração de 3,1% nas bebidas alcoólicas e de 0,5% nas não alcoólicas.

De acordo com a FGV Agro, o principal choque sobre a produção agroindustrial nos primeiros quatro meses do ano foi a guerra no Irã, que afetou cadeias globais. Para os próximos meses, os pesquisadores apontam que o setor ainda precisará absorver pelo menos três choques adicionais: o esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira, a exclusão do Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia e a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos, que deve impactar produtos como calçados e pescados.

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