A Agropalma, empresa brasileira produtora de óleo de palma, desenvolveu um sistema próprio baseado em inteligência artificial para monitorar condições climáticas e identificar focos de calor na região amazônica. A ferramenta foi criada pelas equipes de fitotecnia, agricultura de precisão e geoprocessamento da companhia e utiliza a plataforma ArcGIS, principal sistema de informações geográficas do mundo, integrando dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com informações de satélites e sensores da NASA.
O sistema conta com painéis interativos que cruzam os dados e projetam possíveis ocorrências de fogo nas lavouras. A cobertura alcança um raio de até cinco quilômetros além dos limites das fazendas da Agropalma, abrangendo também propriedades de agricultores familiares vinculados ao Programa de Agricultura Familiar. Segundo a empresa, 445 agricultores familiares e 64 produtores integrados estão dentro do limite de detecção de fogo.
Ao todo, a companhia possui 16 pontos de observação, sendo metade na propriedade em Tailândia, no Pará, e a outra metade em mais sete municípios paraenses: Acará, Baião, Cametá, Igarapé Mirim, Mocajuba, Moju e Tomé Açu. Uma das grandes preocupações atuais da empresa são os riscos associados ao fenômeno El Niño, que causa secas severas na região amazônica.
De acordo com Anderlon Andrade, coordenador Técnico em Agricultura de Precisão da Agropalma, o pequeno produtor da região não tem acesso a esse tipo de tecnologia. “Ao incluirmos essas propriedades no nosso sistema, conseguimos alertá-los rapidamente sobre qualquer foco de calor que se aproxime de suas terras”, afirma.
A plataforma classifica o nível de risco em cores: verde para risco baixo e acompanhamento preventivo; amarelo para moderado; laranja para alto; e vermelho para crítico, com necessidade de avaliação imediata e acionamento das equipes de combate. O sistema também emite relatórios de monitoramento das queimadas para gestores e brigadistas da região.