AgroValley: hub de inovação em Campo Grande planeja investir R$ 150 milhões em agtechs

O Centro-Oeste domina a produção nacional de grãos, mas ainda tem participação modesta no ecossistema de inovação do agro. Para mudar esse cenário, surgiu o AgroValley, um hub de inovação localizado em Campo Grande (MS), que já nasce com a ambição de aplicar R$ 150 milhões em startups do agronegócio ainda em 2026.

Criado pela gestora VivaTerra, do empresário Rafael Viana, o AgroValley reúne startups, empresas, universidades, investidores e produtores rurais. A VivaTerra será responsável pelos aportes financeiros, enquanto o hub cuidará da incubação e aceleração das empresas. Segundo Viana, a prioridade será para projetos nas áreas de inteligência artificial, robótica, biotecnologia e crédito de carbono.

No momento, o hub avalia 20 startups em estágio inicial e outras três em fase avançada de análise, entre elas a Kerow, que desenvolve biometria facial e contagem de bovinos por imagem, e a Carbon Vantage, um marketplace de créditos de carbono que conecta produtores e compradores.

“O Brasil é referência na criação de tecnologias para o agro, mas ainda enfrenta dificuldades para financiar e ampliar a adoção dessas soluções”, afirma Viana. Ele cita o ciclo de juros altos, o endividamento do setor, as recuperações judiciais em alta, as quebras de safra consecutivas, a queda dos preços das commodities e o aumento dos custos de produção. “A solução para reduzir custos é adotar tecnologia”, completa.

De acordo com o Radar Agtech 2025, da Embrapa, o número de startups do agro na região Centro-Oeste mais que dobrou entre 2019 e 2025, passando de 70 para 147. A região abriga 37 ecossistemas de inovação – 9,49% do total nacional –, atrás apenas do Sul (37,18%). O Norte tem a menor participação, com 4,62%. Ainda assim, o Centro-Oeste é considerado um polo emergente, impulsionado pela forte produção agropecuária.

Foi justamente a proximidade com grandes produtores e cooperativas que levou Viana a escolher Mato Grosso do Sul para instalar a VivaTerra e o AgroValley. O projeto se apoia em três pilares: a aproximação com os produtores beneficiados, a análise de viabilidade das startups pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e o capital para os investimentos. “Vamos levar o capital para aproximar o investidor do produtor e do mundo acadêmico”, afirma Viana, que também participará do festival de inovação SP2B, em São Paulo, em agosto.

O empresário ressalta que a missão do AgroValley não se limita a identificar agtechs para receber aportes. “Nem todas as empresas terão investimento do fundo, mas elas poderão participar desse ecossistema”, conclui.

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