Área plantada de inverno no RS deve cair mais de 10% nesta safra

Uma “tempestade de problemas” deve fazer com que os produtores gaúchos invistam menos na safra de inverno de 2026. Além dos temores climáticos ligados à chegada do El Niño, fatores financeiros como baixa rentabilidade, custos altos, endividamento e dificuldades de acesso ao crédito estão levando a uma redução da área plantada para a “segunda safra” gaúcha.

A primeira estimativa da safra de inverno do Rio Grande do Sul, divulgada nesta segunda-feira (22/6) pela Emater-RS, informa que a área plantada deve cair 10,76% em relação a 2025, alcançando 1,575 milhão de hectares, somando as lavouras de trigo, aveia branca, cevada e canola. Segundo a Emater-RS, todos os grãos de inverno devem gerar uma produção de 3,733 milhões de toneladas neste ciclo, um recuo de 22,15% em comparação com o ano passado.

Para este resultado, o tombo mais relevante é o do trigo. A área plantada com o cereal deve cair 30%, para 814 mil hectares – a primeira vez desde 2020 que lavouras tritícolas gaúchas ocupam menos de um 1 milhão de hectares. Com isso, a estimativa de produção de trigo no Estado deve recuar 36,39%, para 2,199 milhões de toneladas.

“O produtor está descapitalizado e com falta de acesso ao crédito, o que prejudica o investimento nas lavouras. Além disso, a previsão de El Niño, que traz mais chuvas para o Rio Grande do Sul, pode reduzir a qualidade dos grãos, gerar doenças e atrapalhar a colheita”, afirma Mateus Soares da Rocha, diretor técnico da Emater-RS.

Além do trigo, outros cereais também deverão ter redução de área. Segundo a Emater-RS, as lavouras de cevada devem encolher 36,52%, para 20.320 hectares. Já para a aveia branca a expectativa é de recuo de 1,38%, para 387,7 mil hectares.

No entanto, enquanto os cereais perdem espaço nas lavouras gaúchas, a canola deve dobrar sua presença nos campos neste ano. De acordo com a Emater-RS, a estimativa é de que a cultura, que é usada para produção de biocombustível, aumente em 102% sua área plantada, que deve alcançar 353 mil hectares, um recorde para o Estado. A produção esperada é de 571,9 mil toneladas.

Segundo o diretor técnico da Emater-RS, os mesmos fatores que desincentivam a produção de cereais no Rio Grande do Sul neste ano fazem com que a aposta da canola seja mais atrativa para os produtores. “O trigo tem um custo de produção mais caro do que a canola, que também é uma cultura com forte integração com a indústria, que fomenta e financia o plantio, o que faz a diferença em um momento em que o agricultor gaúcho está descapitalizado”, destaca.

Além disso, Rocha lembra que muitos produtores estão receosos que ocorra uma primavera muito chuvosa devido ao El Niño, o que pode afetar a produtividade e qualidade do cereal.

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