Arena Impacto: Como a inteligência artificial já está revolucionando o agronegócio

Em sua primeira edição, o evento Arena Impacto reuniu líderes do agronegócio para uma conversa direta sobre inteligência artificial (IA). Promovido pela Solinftec em parceria com Valor Econômico e Globo Rural, o encontro teve como objetivo acelerar a discussão sobre o uso da tecnologia no campo e mostrar que o futuro já chegou.

“Hoje, nós não viemos falar de chuva”, brincou Denis Arroyo, vice-presidente global da Solinftec, na abertura. “A gente veio preparar o terreno sobre a aplicação da IA. Afinal, todas as tecnologias são aplicáveis ao nosso negócio.”

A programação contou com representantes de empresas e instituições como Amazon, Siemens, Oracle, Fundação Dom Cabral, Ânima Educação, Ambev e GMW, além de Silvio Meira, cientista-chefe da TDS Company. A ideia de trazer experiências de outros setores surgiu após uma visita de Arroyo ao Brazil at Silicon Valley, na Califórnia. “Esperava ver muita coisa futurista, mas o que eu vi foi muita coisa futurista aplicada”, afirmou. “O que a gente imagina como futuro já está acontecendo. O agro brasileiro está chegando tarde à conversa.”

O Arena Impacto também reforçou o posicionamento da Solinftec como aliada estratégica dos clientes. “Em vez de apenas vender produto, queremos apoiar a transformação tecnológica dos nossos clientes”, disse Arroyo, destacando a importância de compartilhar conhecimento com todo o ecossistema.

IA ganha escala no campo

Gustavo Montezano, CEO da YvY Capital (investidora da Solinftec), ressaltou que a inteligência artificial é “provavelmente a maior revolução da nossa geração, capaz de mudar toda a cadeia produtiva”. Para ele, não basta o engenheiro entender a tecnologia; é preciso que vendedores, agrônomos, reguladores, bancos e advogados também tenham conhecimento suficiente para dialogar e incorporar as mudanças.

Essa experimentação já começa a aparecer na rotina de empresas do setor. Marco Alexandre Bronson, presidente da Talismã Sementes, afirmou que o evento funcionou como extensão de uma parceria de seis anos com a Solinftec no monitoramento de máquinas e operação de robôs. “A inteligência artificial está em todos os setores, e acho que a agricultura pode se beneficiar com ela, mas ainda não sei como aplicar”, disse, reconhecendo o valor de contar com a Solinftec para conhecer as próximas tecnologias.

Dados que viram decisão

Incorporar novas ferramentas não significa, por si só, transformar a operação. Em sua palestra, Silvio Meira apresentou esse desafio a partir de uma perspectiva histórica: a adoção da eletricidade pela indústria levou décadas para gerar ganhos de produtividade porque as fábricas simplesmente trocaram caldeiras a vapor por motores elétricos sem mudar a lógica da operação. “Eles usaram o novo do jeito velho”, disse. “Faltou desaprender o antigo método para então aprender algo diferente.”

No agro, a distância entre disponibilidade de dados e seu uso é clara. Meira apontou um paradoxo: o setor que mais coleta dados é um dos que menos decide com base neles. “O campo conta com satélite, drone, estação meteorológica, sensor de solo, monitor de colheita, telemetria de máquina – dados não faltam. O problema é transformá-los em informação capaz de orientar decisões. Ninguém tem a série completa do mesmo talhão ao longo de dez anos – nem o próprio produtor”, afirmou.

O resultado, segundo ele, é que a decisão continua sendo tomada pela experiência, pela relação e pela intuição. “Coletar não é medir, medir não é decidir e decidir não é aprender. É nesses três degraus que o valor se perde.” Na era da IA, a maturidade não está em operar como uma empresa com muita tecnologia, mas em funcionar como um sistema cognitivo.

A IA não vai chegar pronta

Autor de sete livros sobre tecnologia e negócios, Ricardo Cavallini defendeu a urgência da adoção da IA. “Com o lançamento da IA, tudo o que a gente fazia acabou de ficar medíocre. Se não ficou, vai ficar amanhã ou depois de amanhã”, disse. E alertou para uma armadilha comum: esperar que outras empresas ou setores façam primeiro, em busca de referências. “A receita para o atraso é deixar outros setores fazerem antes. A tecnologia não vai chegar pronta. Ela precisa ser adaptada por quem conhece as operações por dentro.”

O Arena Impacto mostrou que a inteligência artificial já está mudando os negócios – e que o agro brasileiro precisa se preparar para não ficar para trás.

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