Argentina leva mais de 500 quilos de carne para a Copa: tradição do churrasco

Tem seleção que leva equipamentos extras. Tem seleção que reforça a equipe médica. E tem a Argentina, que faz questão de levar o churrasco. Um detalhe chamou a atenção na equipe que entra em campo nesta segunda-feira (22/6), contra a Áustria: a delegação desembarcou nos Estados Unidos com mais de 500 quilos de carne bovina argentina para abastecer jogadores e comissão técnica ao longo da competição.

Na estreia, o time de Messi e companhia bateu a Argélia por 3 a 0. A carga inclui alguns dos cortes mais tradicionais do país vizinho, como vazio, lombo, matambre, costela e bife de chorizo. O objetivo é manter a rotina alimentar dos atletas, mas a escolha também carrega um forte significado cultural. Na Argentina, o churrasco vai além de uma refeição: é encontro, celebração e parte da identidade nacional.

Não é a primeira vez que a tradição atravessa fronteiras durante uma Copa. Em 2022, no Catar, a seleção argentina desembarcou com cerca de 3,5 toneladas de carne e transformou os famosos “asados” em momentos frequentes de convivência entre jogadores e comissão técnica. Ao final da campanha, a equipe levantou a taça e conquistou a terceira estrela. Desde então, o churrasco consolidou seu status de personagem extraoficial da seleção.

Na preparação para o Mundial deste ano, o goleiro Emiliano Martínez mostrou nas redes sociais que nem mesmo uma forte tempestade em Kansas City foi capaz de cancelar um “asado”. Com chuva, vento e tudo mais, as brasas permaneceram acesas — porque, para os argentinos, algumas tradições simplesmente não entram em campo para perder.

Levar um pouco de casa para a concentração é prática comum em competições longas. Além dos treinamentos e jogos, os atletas passam semanas convivendo em hotéis e centros de treinamento, muitas vezes longe da família e dos hábitos do dia a dia. A comida ganha então um papel que vai além da nutrição: ajuda a criar familiaridade e conforto em meio à rotina intensa de uma Copa do Mundo.

Segundo a Fifa, a alimentação é uma das peças-chave na preparação de atletas de alto rendimento e costuma ser adaptada não apenas às necessidades nutricionais, mas também aos hábitos culturais de cada seleção. Em conteúdos de bastidores publicados pela entidade, chefs e nutricionistas destacam a importância de manter os atletas próximos dos alimentos aos quais já estão acostumados durante torneios de longa duração.

A Argentina não é a única a apostar nos sabores nacionais. A Noruega, por exemplo, também chamou atenção ao reservar cerca de 300 quilos de peixe para acompanhar a delegação durante o Mundial. Presença constante na culinária do país, o pescado foi incluído no planejamento da equipe para manter um cardápio mais próximo daquele consumido pelos jogadores em casa.

Deixe um comentário

Anunciar grátis