O preço do boi gordo atingiu um novo recorde histórico, com a arroba sendo negociada a R$ 390, segundo o indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados do Agronegócio), ligado à Esalq-USP. O valor foi registrado no dia 3 de novembro e superou a marca anterior, de R$ 385,26, que vigorava desde novembro de 2020.
De acordo com especialistas, a alta é impulsionada por três fatores principais: oferta limitada de animais para abate, dólar forte e demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto externo. A redução no número de abates — 7,5% menor nos primeiros nove meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Agrifatto — reflete o ciclo de baixa da pecuária, com pecuaristas retendo fêmeas para reprodução diante dos preços atrativos.
A valorização do dólar após as eleições presidenciais também contribuiu, tornando as exportações mais lucrativas para os frigoríficos. “A indústria, ao exportar, recebe mais em real, e a nossa carne fica mais barata para o importador”, explicou Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto. Esse cenário, somado ao retorno da demanda chinesa e à cota de importação dos Estados Unidos, deve manter os preços elevados no curto e médio prazo.
No mercado doméstico, os cortes de carne bovina já apresentam alta, com variações de 0,3% a 1,2% na última semana em diferentes estados. O preço médio do acém em São Paulo subiu 20,7% em outubro na comparação anual, enquanto a picanha registrou queda de 7,9%. Analistas, no entanto, alertam que o consumidor encontra dificuldades para absorver novos reajustes. “O atacado e o varejo têm reagido, mas não na mesma proporção do movimento de alta do boi, então as margens da indústria e do varejo estão apertando”, afirmou Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercados.
Apesar disso, o fundador da Scot Consultoria, Alcides Torres, não observa retração no consumo. “Tanto é que o preço da carne está firme”, disse, acrescentando que o pagamento do 13º salário e a criação de empregos temporários devem dar novo fôlego à demanda. Para 2027, a expectativa é de que a cotação da arroba se mantenha firme, com a contínua redução dos abates e a forte demanda externa, especialmente dos Estados Unidos, que enfrentam escassez de gado.