Aumento do frete de grãos no Pará intensifica pressão por obras na BR-163

O transporte de soja e milho para os terminais portuários do Pará registrou alta significativa nos custos nos últimos meses, impulsionado por problemas de infraestrutura na BR-163. Em julho, o valor médio do frete para Miritituba atingiu R$ 310 por tonelada, enquanto o trajeto até Santarém ficou de 30% a 50% mais caro no período, segundo levantamento da Frete.com.

De acordo com Federico Vega, CEO da Frete.com, o desequilíbrio entre oferta e demanda nos picos de safra é o principal fator de pressão sobre os preços, mas as deficiências na rodovia também contribuem. “Apesar de o Arco Norte continuar oferecendo o menor custo total de transporte para o norte de Mato Grosso, o custo por quilômetro permanece elevado em comparação com corredores mais consolidados, reflexo de limitações de estrutura e menor eficiência operacional na BR-163”, afirma.

Trechos não pavimentados da BR-163 no Pará reduzem o ritmo do transporte, especialmente em períodos de chuva. A situação levou representantes de empresas de logística a cobrar do governo uma solução. Edeon Vaz, diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável de Hidrovias e Corredores de Exportação (Adecon), reuniu-se com integrantes do Ministério dos Transportes e do DNIT, apresentando imagens da via danificada. “Só faltou levar a apresentação para o ministro. Um ônibus está levando oito horas de Santarém a Rurópolis. É um absurdo total”, protesta.

O percurso entre Santarém e Rurópolis tem 218 quilômetros, dos quais pelo menos 170 estão danificados. De Rurópolis até o “trevo do 30”, falta pavimentação. Os prejuízos à logística se agravam durante o verão amazônico, quando a baixa do Rio Tapajós limita o uso da hidrovia, forçando o desvio de carga para o corredor BR-163/230. “O frete vai lá para cima e quem acaba sendo prejudicado é o produtor”, acrescenta Vaz.

O DNIT informou que já firmou contrato de obras emergenciais na BR-163, dividido em três lotes, e que as empresas vencedoras iniciaram os serviços. “Estão sendo realizados serviços de reciclagem da base, reconstrução da sub-base e da base nos pontos mais críticos, além da execução de capa asfáltica e aplicação de microrrevestimento”, diz a autarquia, sem prazo para conclusão. Ainda não há data para início das obras estruturais na rodovia.

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