Avicultores do Rio Grande do Sul estão em estado de alerta. A produção de frangos e ovos no estado vem sofrendo com condições climáticas adversas e com os impactos das tensões geopolíticas globais. Diante dos prejuízos, o setor realiza uma verdadeira “gestão de crise” e clama por apoio do poder público.
“Há uma mudança global no clima. Este ano, não tivemos casos de influenza aviária em granja comercial, mas a régua da biosseguridade está sentindo esse efeito”, afirma o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos. Ele defende que o governo execute políticas de apoio para ajudar na manutenção da atividade. “Vamos buscar alternativas para amenizar os impactos e, ao mesmo tempo, buscar, com a ajuda dos governantes, políticas que possam dar fomento para seguir em frente.”
Nesta semana, o Estado foi atingido por tempestades e tornados, que danificaram regiões produtoras. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) relatou falta de energia em diversas localidades. Até a sexta-feira (7/8), as informações da Emater apontavam danos em casas, galpões e armazéns. Em Pedro Osório, a força do vento destruiu instalações de um pecuarista; a prefeitura estima que cerca de 150 propriedades rurais tenham sido atingidas.
Além do clima, os avicultores sentem os reflexos de medidas protecionistas, como o tarifaço dos Estados Unidos e o veto da União Europeia às exportações de produtos brasileiros de origem animal. A guerra no Oriente Médio também elevou os custos de produção, aumentando os preços de combustíveis, embalagens e logística.
“O produtor, a indústria, a cooperativa precisam planejar, rever custos de produção, alternativas de mercado, volumes de exportação, ao mesmo tempo que buscam uma prevenção e uma mitigação de riscos no ciclo produtivo”, analisa Santos.
O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de carne de frango do Brasil. Em 2025, abateu 749 milhões de cabeças, 13,13% da produção nacional, atrás apenas de Santa Catarina (13,65%) e do Paraná (38,93%). Na agroindústria, são 21 unidades frigoríficas de aves com Selo de Inspeção Federal (SIF) no estado. Na cadeia de ovos, são 47 SIFs ativos. A avicultura gaúcha exportou 686,5 mil toneladas de carne de frango no ano passado, 13,3% do total nacional, e 6,246 mil toneladas de ovos (15,28% do total).
O momento, segundo a Asgav, é de “análise de riscos”. O setor busca se adaptar e sobreviver em meio a desafios que vão desde fenômenos climáticos extremos até barreiras comerciais e conflitos internacionais.