Bacalhau: origem, curiosidades e a tradição que conecta Brasil e Noruega

Muito antes de se tornar tradição na Páscoa brasileira, o bacalhau já fazia parte da história da Noruega. Desde a Era Viking, pescadores secavam o peixe para conservá-lo durante longas viagens marítimas. No século XVII, os holandeses levaram à cidade portuária de Kristiansund a técnica de salgar e secar o peixe, conhecida como clipfish, que passou a integrar a produção norueguesa. Na virada do século XVIII, os escoceses adotaram a técnica e impulsionaram sua expansão comercial.

Durante muito tempo, Kristiansund concentrou a produção de bacalhau no país. Mas, com o fortalecimento das frotas pesqueiras, esse protagonismo migrou para a região litorânea de Ålesund, localizada a cerca de 600 quilômetros de Oslo. Foi nesse contexto que o Brasil passou a fazer parte dessa história. Segundo Randi Bolstad, do Conselho Norueguês da Pesca no Brasil e Caribe, a relação comercial entre os dois países acompanha a tradição do próprio bacalhau. “Podemos dizer que é um casamento de quase 200 anos no comércio de bacalhau”, brinca. “O Brasil sempre teve um papel muito importante para a Noruega nesse comércio. Embora os portugueses já levassem bacalhau para o Brasil, a exportação direta começou em 1842, quando o primeiro navio saiu da Noruega rumo ao Brasil. Depois de entregar o bacalhau, ele retornou carregado de café. Esse foi o início da relação comercial direta entre os dois países.”

Mas, afinal, bacalhau é um único tipo de peixe? De onde surgiu esse nome? Quais são seus benefícios para a saúde? A seguir, reunimos seis curiosidades sobre um dos alimentos mais tradicionais da culinária brasileira.

1. Bacalhau não é um único peixe

Apesar de muita gente acreditar que o bacalhau é uma única espécie de peixe, o nome se refere, na verdade, a diferentes espécies do gênero Gadus. Além do bacalhau-do-Atlântico, também conhecido como bacalhau-da-Noruega (Gadus morhua), o grupo inclui o bacalhau-do-Pacífico (Gadus macrocephalus) e o bacalhau-da-Groenlândia (Gadus ogac).

2. De onde vem o nome?

Na Noruega, o bacalhau fresco recebe o nome de torsk, palavra derivada do nórdico antigo turskr, uma contração de turrfiskr, que significa “peixe seco”. Já skrei, nome dado ao bacalhau-da-Noruega (Gadus morhua) durante sua migração anual, vem da palavra skrida, que significa “vagar”.

3. A brisa do mar também participa da produção

Após a pesca, os produtores penduram o skrei em grandes varais para secar naturalmente. Durante esse processo, a brisa salgada do mar ajuda na desidratação do peixe e contribui para sua conservação, mantendo uma técnica tradicional utilizada há séculos na Noruega.

4. Bacalhau com soda cáustica?

Um dos pratos mais tradicionais do Natal norueguês leva bacalhau tratado com soda cáustica. Entre novembro e dezembro, o lutefisk ganha espaço nas mesas do país. No preparo, o peixe passa por uma solução de soda cáustica, permanece de molho para remover completamente a substância e, depois, é cozido no vapor até se desfazer em lascas. Ao final do processo, o alimento adquire uma aparência e uma textura gelatinosas, mas pode ser consumido com segurança, sem riscos à saúde.

5. Um verdadeiro gigante dos mares

As espécies de bacalhau costumam medir cerca de um metro de comprimento. O maior exemplar é o bacalhau-do-Atlântico (Gadus morhua), que pode ultrapassar 1,50 metro de comprimento e atingir até 50 quilos.

6. Rico em proteínas e vitaminas

Cerca de 30% da composição do bacalhau corresponde a proteínas, nutrientes importantes para a renovação das células do organismo. O pescado também é fonte de vitaminas do complexo B, que auxiliam o metabolismo energético e contribuem para o funcionamento adequado do corpo.

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