A startup brasileira BagLog desenvolveu uma plataforma que conecta produtores rurais de áreas remotas a pessoas e transportadores que já realizam entregas em rotas semelhantes. A ideia é aproveitar o espaço ocioso em veículos que fazem trajetos cotidianos para escoar a produção agrícola, reduzindo custos logísticos e ampliando as oportunidades de comercialização.
Na prática, o produtor informa o que precisa transportar e o destino. A plataforma identifica pessoas ou operadores logísticos que já percorrem aquele caminho e podem realizar a entrega. O modelo gera renda extra para quem transporta e diminui despesas dos agricultores.
Segundo Patrícia Vitória Souza, CEO e fundadora da BagLog, a ideia surgiu ao perceber que muitos produtores deixavam de escoar parte da produção por causa do frete caro, enquanto milhares de pessoas viajam diariamente entre o interior e os centros urbanos. “É o famoso ir para a rua”, conta a empreendedora.
A startup já transportou café de uma família centenária de Cachoeiro de Itapemirim (ES) para São Paulo, Rio de Janeiro e até Montevidéu, no Uruguai. Além do café, produtos como cacau, geleia e pimenta-rosa com Indicação Geográfica (IG) também são levados. “Volumes pequenos de cafés especiais, que não valeriam a pena escoar pela logística tradicional, são beneficiados”, afirma Souza.
Atualmente, a BagLog conta com 127 cadastros entre produtores e “BagAmigos” (transportadores), sendo que 84% desempenham ambas as funções. A empresa não possui frota própria; funciona como uma plataforma de conexão. A maior margem fica com quem transporta, e a startup fica com uma porcentagem para monetizar.
Fundada oficialmente em julho de 2025, a BagLog captou R$ 100 mil pelo Projeto Sementes do Governo do Espírito Santo, US$ 20 mil da Google for Startups e um valor não revelado da Engie. A meta é encerrar 2026 com faturamento de R$ 600 mil e expandir nacional e internacionalmente. A startup foi selecionada para a missão BRAVI 2026, na Itália, para buscar parcerias e testar a tecnologia no mercado europeu, especialmente em regiões com pequenas propriedades familiares e cooperativas.