Banco do Brasil projeta renegociação de R$ 30 bilhões em dívidas rurais com taxas controladas

O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira (13/8) que espera renegociar cerca de R$ 30 bilhões em operações de crédito rural enquadradas na linha de juros controlados autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026. As taxas de juros variam de 5% a 12% ao ano, com prazo de pagamento de até oito anos.

Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, Gilson Bittencourt, a carteira potencial elegível para a renegociação supera R$ 100 bilhões, incluindo R$ 36,7 bilhões em operações inadimplentes e R$ 63,5 bilhões em financiamentos adimplentes prorrogados ou já renegociados. O montante envolve saldos de cerca de 113 mil clientes.

“Nosso foco central será no produtor inadimplente. Temos mais de R$ 36 bilhões inadimplentes, seguidos daqueles com operações prorrogadas com taxas livres que se enquadram no percentual de perdas e limites de crédito”, afirmou Bittencourt durante teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026. Ele acrescentou que a renegociação de R$ 30 bilhões teria um “efeito bastante significativo” sobre as operações inadimplentes do banco.

O BB ainda aguarda a portaria do Tesouro Nacional autorizando a equalização de juros para iniciar as operações. A expectativa é que a norma seja publicada até sexta-feira (14/8). Apesar disso, mais de 31 mil clientes já foram contatados para manifestar interesse. “Boa parte são os inadimplentes”, disse Bittencourt.

O vice-presidente de Riscos, Felipe Prince, informou que o banco priorizará produtores que pagarem uma entrada e oferecerem garantias. “Vamos priorizar operações com entrada, vinculação de garantias e transformação de garantias imobiliárias em alienação fiduciária”, destacou. A medida visa demonstrar ao regulador que o cliente deseja se regularizar e também avançar na reversão dos valores provisionados para perdas.

Em junho de 2026, o BB possuía R$ 43,6 bilhões em provisões vinculadas às operações de crédito rural, quase o dobro dos R$ 26,8 bilhões registrados um ano antes. A inadimplência na carteira de agronegócios subiu de 6,22% (março de 2026) para 6,27%. O saldo total da carteira atingiu R$ 421,5 bilhões, alta de 0,8% no trimestre e de 4,1% em 12 meses.

Bittencourt lembrou que, dentro dos R$ 100 bilhões enquadráveis, estão incluídos quase R$ 40 bilhões já renegociados pelas regras da MP 1.314/2025, boa parte com juros livres. Esses produtores poderão tentar um novo refinanciamento com taxas mais atrativas, equalizadas pela União.

Perfil das dívidas enquadráveis

Segundo o BB, 65,2% das dívidas elegíveis à renegociação da MP 1.376/2026 pertencem a grandes produtores; 30,5% ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp); e apenas 4,3% ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O passivo está vinculado principalmente à produção de soja (38,8%), pecuária (35,6%) e milho (8,6%).

Regionalmente, o Centro-Oeste concentra a maior parte: 18,4 mil clientes e R$ 33,9 bilhões em operações enquadráveis. O Sudeste soma R$ 23,6 bilhões (25,9 mil produtores), o Sul R$ 22,9 bilhões (40,2 mil), o Nordeste R$ 10,4 bilhões (17,5 mil) e o Norte R$ 9,3 bilhões (11,3 mil produtores).

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