O mercado do boi gordo registrou um marco histórico no Sudeste em setembro. Pela primeira vez, a arroba paga mais de 30 dias de confinamento, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap). O indicador atingiu 30,77 dias de cocho, impulsionado pela valorização do boi gordo e pela estabilidade do custo alimentar.
De acordo com levantamento da empresa Ponta, a arroba alcançou R$ 356, o maior valor da série histórica para a região, enquanto o Icap ficou praticamente estável em R$ 11,57 por cabeça/dia. O indicador é calculado a partir de dados da tecnologia de gestão de confinamento (TGC), que acompanha mais de 57% das cabeças confinadas no país.
No Centro-Oeste, a tendência foi inversa. O Icap registrou a maior alta mensal desde março, com avanço de 6,64%, para R$ 12,68 por cabeça/dia. A dieta de terminação subiu para R$ 1.088 por tonelada de matéria seca, interrompendo cinco quedas consecutivas. Apesar disso, o indicador permanece praticamente no mesmo patamar em relação a setembro de 2025.
A diferença no custo alimentar entre as regiões voltou a se ampliar. Depois de cair para apenas R$ 0,35 por cabeça/dia em agosto, a diferença saltou para R$ 1,11 em setembro, com o Sudeste mantendo o menor Icap pelo sétimo mês consecutivo.
Na lucratividade, a distância também é expressiva. O Sudeste avançou 3,98%, chegando a R$ 1.210,21 por cabeça, enquanto o Centro-Oeste recuou 7,77%, para R$ 906,75. Com isso, a vantagem do Sudeste alcançou R$ 303,46 por cabeça, a maior de 2026.
Os dados reforçam a competitividade do Sudeste no confinamento, apesar do cenário de custos mais elevados no Centro-Oeste. A tendência, segundo especialistas, é de que a diferença continue influenciando as decisões de investimento na atividade.