Boi gordo mantém preços estáveis com oferta enxuta de animais

O mercado pecuário registrou estabilidade nos preços do boi gordo nesta terça-feira (21/7) na maior parte do Brasil. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações permaneceram firmes, com boa liquidez em diversas praças. A oferta restrita de animais terminados continua sendo o principal fator de sustentação dos valores.

Das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 22 não apresentaram variação no preço do boi gordo em relação ao dia anterior, enquanto dez registraram altas. Apenas em Roraima houve queda. Em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências nacionais, a arroba do boi gordo permaneceu em R$ 335 para pagamento a prazo. O “boi China” e a novilha também ficaram estáveis. Já o preço da vaca subiu R$ 2, chegando a R$ 312 por arroba.

A Scot Consultoria destacou que a oferta de bovinos estava enxuta, com disponibilidade de fêmeas menor que a de machos. Os compradores demonstraram maior disposição para negociar em comparação com a semana anterior, buscando manter as escalas de abate confortáveis, mesmo sem alongá-las. Houve negócios acima das referências, mas em volume insuficiente para alterar as cotações.

Segundo a consultoria Safra & Mercado, as indústrias ainda enfrentam dificuldades para compor as escalas de abate. “O ambiente sugere a continuidade do movimento de alta no curtíssimo prazo, uma vez que a disponibilidade de gado para abate tende a seguir limitada, ao menos em julho”, afirmou o analista Fernando Iglesias.

Por outro lado, a demanda continua sendo um limitador, especialmente nas exportações, devido à redução do ritmo diário de embarques — consequência do esgotamento virtual das cotas de exportação para a China. O mercado também acompanha os indicadores de vendas internas, com o consumidor brasileiro ainda enfrentando dificuldades por causa do alto endividamento.

No atacado, os preços se mantiveram firmes nesta terça-feira, segundo a Safras. “O ambiente de negócios sugere menor propensão a reajustes durante a segunda quinzena do mês, período de menor apelo ao consumo. A carne bovina continua menos competitiva em relação a outras proteínas, especialmente o frango”, comentou Iglesias.

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