Boi gordo: preço sobe pelo segundo dia consecutivo em São Paulo

Os pecuaristas mantinham o ritmo de venda ajustado às necessidades de caixa, limitando a disponibilidade de bovinos terminados — Foto: José Florentino/Globo Rural

O preço do boi gordo teve o segundo dia consecutivo de alta em São Paulo, informa a Scot Consultoria. Nesta quinta-feira (17/9), nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a cotação da arroba subiu R$ 2, para R$ 350. Já o “boi China” aumentou R$ 3, para R$ 355 a arroba. O preço da vaca avançou R$ 5, para R$ 330 a arroba, enquanto a novilha não teve alterações. Além das duas praças paulistas, também foram registrados aumentos para o boi gordo em Goiânia (GO), Marabá (PA) e Paragominas (PA). Nas demais 28 regiões monitoradas pela Scot, não houve mudanças nas cotações na comparação diária.

Segundo a Scot, mesmo com o arrefecimento da demanda por carne na segunda quinzena do mês, a oferta enxuta de gado sustentava o mercado. Os pecuaristas mantinham o ritmo de venda ajustado às necessidades de caixa, limitando a disponibilidade de bovinos terminados. Para as fêmeas, a oferta era ainda menor que a dos machos, o que contribuía para a alta nas cotações e para a redução do ágio entre as categorias.

Do lado comprador, a postura era de cautela nas negociações, com foco no controle dos estoques. Ainda assim, os frigoríficos que queriam manter escalas confortáveis pagavam o que era pedido.

A consultoria Safras & Mercado destaca que o mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com negociações acima da referência média ao longo da quinta-feira, em um ambiente pautado por escalas de abate menos confortáveis. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras, o cenário para os frigoríficos de maior porte ainda é mais tranquilo, considerando a incidência de animais de parceria, além da utilização de confinamentos próprios. “O mercado segue atento ao fluxo exportador, somado ao comportamento da demanda no mercado doméstico”, comenta.

O mercado atacadista operava com preços acomodados nos níveis alcançados após as altas recentes, afirma a Safras. “A entrada dos salários na economia estimulou a reposição entre atacado e varejo durante a primeira metade do mês. Para a segunda quinzena, entretanto, a expectativa é de menor intensidade do consumo”, destaca Iglesias.

Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca a competitividade das carnes suína e de frango em relação à bovina. Na parcial de setembro (até o dia 16), o preço de um quilo de carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo equivaleu a 3,20 quilos de frango resfriado. Em relação à carne suína, o equivalente foi de 3,28 quilos de suíno.

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