Você provavelmente já ouviu dizer que os bovinos têm quatro estômagos. Essa ideia é bastante difundida, mas não é exata: na verdade, esses animais possuem um único estômago dividido em quatro compartimentos, cada um com funções específicas na digestão. É essa característica que permite a ruminação e deu origem ao mito dos quatro estômagos.
Segundo João Paulo Rodrigues, pesquisador em nutrição animal da Embrapa Gado de Leite, o estômago dos bovinos é formado por quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. Cada um desempenha um papel único no processamento dos alimentos, especialmente os de origem vegetal.
Para que serve cada compartimento?
- Rúmen: é o maior compartimento, ocupando boa parte da cavidade abdominal. Nele ocorre a fermentação bacteriana, onde microrganismos decompõem a celulose das plantas, transformando-a em ácidos graxos voláteis, que são absorvidos e fornecem energia ao animal.
- Retículo: após o rúmen, o alimento chega ao retículo, onde é formado o bolo alimentar que será regurgitado para a mastigação. É aqui que começa a ruminação.
- Omaso: responsável pela absorção de água e nutrientes, como sais minerais. Sua estrutura interna possui dobras longitudinais que lembram as páginas de um livro, aumentando a superfície de absorção.
- Abomaso: considerado o “verdadeiro estômago”, é onde ocorre a digestão química, com a ação de enzimas produzidas pelo próprio animal.
Esses quatro compartimentos trabalham em conjunto, garantindo que o bovino aproveite ao máximo os nutrientes das plantas fibrosas.
Por que o boi fica mastigando?
A mastigação é essencial para os ruminantes – grupo que inclui bovinos, ovinos, caprinos, bubalinos e girafas. Ao triturar o alimento vegetal em partículas menores, o processo facilita a ação dos microrganismos do rúmen sobre os carboidratos estruturais das plantas, como a celulose. Esse mecanismo é fundamental para a sobrevivência desses animais, que dependem de dietas ricas em fibras.
Entender a anatomia e a fisiologia digestiva dos bovinos ajuda produtores e curiosos a compreenderem melhor o manejo nutricional e o bem-estar desses animais, além de desfazer um dos mitos mais comuns do agronegócio.