A Bolívia declarou estado de emergência nacional em resposta aos impactos severos do fenômeno climático El Niño. O presidente Rodrigo Paz assinou um decreto no sábado (31/10) que estabelece a medida, prometendo concentrar esforços e cooperação entre instituições públicas para mitigar os danos, conforme divulgado pela imprensa local.
Em pronunciamento, Paz afirmou que as consequências do atual El Niño serão “muito duras” para o país. As ações estatais visam reduzir os efeitos de secas que já afetam pelo menos 63 comunidades em diversas regiões, além de preparar o país para possíveis inundações.
“Ao contrário de outros anos, quando esperávamos que esse impacto ambiental chegasse, tomamos a decisão, com cooperação internacional e esforços nacionais, de combinar recursos econômicos e humanos para enfrentar esse fenômeno”, disse o presidente, conforme reportado pelo jornal El Deber.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos atualizou sua previsão sobre a intensidade do El Niño, indicando 100% de certeza de que o fenômeno se manifestará de modo “muito forte” até o fim do ano, com a temperatura do Oceano Pacífico ficando dois graus acima da média.
Após a assinatura do decreto, produtores rurais bolivianos começaram a questionar, neste domingo (1/11), que tipo de auxílio receberão para a agricultura. Ana Ortiz, gerente da Federação Nacional das Cooperativas de Arroz, expressou as dificuldades do setor ao jornal El Deber. Ela destacou que os produtores enfrentam falta de combustíveis e o fim de subsídios à produção, além de atrasos nas colheitas de inverno e chuvas que impedem o plantio em regiões produtoras.
“Queremos ver quais serão as medidas específicas para o setor arrozeiro. Eles receberão sementes? Serão apoiados com crédito? Serão apoiados com insumos? Que tipo de apoio receberão?”, questionou Ana Ortiz.