Pecuaristas brasileiros estão cada vez mais recorrendo a uma ‘classe de trabalhadores’ extremamente eficiente: os cães de pastoreio, especialmente da raça Border Collie. Esses animais têm ajudado a reduzir custos, aumentar o bem-estar dos rebanhos e otimizar a mão de obra nas propriedades rurais.
De acordo com Heder Melo, presidente da Associação Brasil Border Collie (ABBC), o crescimento da raça tem sido notável. ‘Em 2016, registramos só 400 cães. Em 2026, devemos alcançar 10 mil animais de trabalho registrados’, afirma. Somando os cachorros ainda não registrados, Melo estima que existam cerca de 40 mil animais atuando em fazendas brasileiras, número ainda pequeno diante das mais de 5 milhões de propriedades de criação de gado bovino no país.
Na prática, um único Border Collie treinado consegue conduzir lotes de 200 a 300 cabeças de gado bovino em campo aberto, cobrindo áreas extensas que antes exigiam peões a cavalo. ‘Aquele trabalho que antes levava das 7h30 até às 17h pode ser encerrado na hora do almoço’, destaca Melo. Além da economia de tempo, o animal reduz o estresse do rebanho durante manejos como vacinações e inseminações, diminuindo acidentes e lesões.
O custo para integrar os caninos à propriedade varia: filhotes de linhagem de trabalho custam entre R$ 3.000 e R$ 6.000, enquanto cães adultos treinados partem de R$ 15.000. O produtor Rodrigo Belebon, de Ibirubá (RS), adotou a raça em 2019 para o manejo de ovinos e hoje tem três cães: Maragato, Maragata e Bugra. ‘Os ovinos se estressam menos com os cães do que com humanos, e assim também perdem menos peso’, explica. Belebon tornou-se treinador e ministra oficinas do Senar sobre o uso do Border Collie.
Outro exemplo é Lenon Roberto Kuchak Goi, de Ijuí (RS), que há um ano introduziu o cão ‘Beam’ no manejo de bovinos Angus e Brangus. ‘Hoje, não me vejo mais criando gado sem o cachorro’, afirma. Com cerca de 60 cabeças, Lenon faz todo o manejo apenas com o cão, economizando mão de obra e garantindo baixo custo de manutenção. ‘É um vício. Depois que a gente tem o primeiro, a gente nunca mais vive sem’, conclui.
O Border Collie não é apenas uma ferramenta de trabalho, mas sim ‘uma tecnologia que está no corpo de um cachorro’, como define Heder Melo. A raça está se consolidando como um aliado indispensável na pecuária moderna brasileira.