Brasil atinge 65% da cota chinesa de carne bovina em maio

As exportações brasileiras de carne bovina para a China alcançaram 65,4% da cota estabelecida para 2026, de 1,1 milhão de toneladas, segundo dados divulgados pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom) e pela Administração-Geral de Alfândegas (GACC). Entre janeiro e maio, entraram no país asiático 723,7 mil toneladas da proteína brasileira, volume que inclui cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro.

“Várias indústrias já reduziram os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho”, afirma o relatório. O movimento é estratégico para evitar que as exportações sejam sobretaxadas ao chegar ao destino, uma vez que ultrapassar a cota implica tarifa adicional de 55%.

Expectativa de atingir 80% da cota

Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do atingimento de 80% da cota. Alguns analistas acreditavam que esse nível já teria sido atingido no início de junho, já que os embarques no Brasil aceleraram em abril e maio, com 135 mil toneladas e 154 mil toneladas de carne bovina in natura, respectivamente.

Há leituras diferentes no setor. Alguns empresários consideram seguro exportar apenas até o fim deste mês, para garantir que a carne chegue à China em cerca de 45 dias ainda dentro da cota. Outros avaliam que poderão embarcar na primeira semana de julho, o que levaria o anúncio do esgotamento da cota para setembro.

Impacto no mercado do boi gordo

A expectativa de preenchimento da cota já mexe com o mercado do boi gordo. O Rabobank aponta recuo de 6% no preço da arroba no mercado futuro em julho, cotada a R$ 333. Por outro lado, os embarques para os Estados Unidos devem continuar com oportunidades no terceiro trimestre, devido à confirmação de ao menos 12 casos de screwworm (varejeira do Novo Mundo) e à suspensão das importações de gado em pé do México, reforçando um cenário de oferta restrita nos EUA.

“Soma-se a isso o perfil mais magro da carne brasileira, que atende à demanda da indústria local para blends na produção de hambúrgueres”, completa o relatório do Rabobank. Já o embargo da União Europeia à carne brasileira, por conta do uso de antimicrobianos, deve exercer pressão negativa nos preços do boi gordo no próximo trimestre.

Cota dos demais fornecedores

Os dados do governo chinês mostram que, de janeiro a maio, foram preenchidos 47,7% da cota total de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina, dividida entre diversos fornecedores. A Austrália, por exemplo, estava com 85,4% da cota de 205 mil toneladas utilizada em maio – na semana passada, a China anunciou que o volume foi totalmente preenchido em 18 de junho. A Argentina ocupou 41,2% da cota de 511 mil toneladas; o Uruguai, 22,3% do volume de 324 mil toneladas; a Nova Zelândia exportou 22,2% da sua cota de 206 mil toneladas. As exportações dos Estados Unidos seguem praticamente zeradas (menos de 0,5% da cota de 164 mil toneladas).

— Foto: Claudio Belli

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