O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 com um marco histórico: as exportações de algodão atingiram 3,37 milhões de toneladas, um crescimento de 19% em relação ao ciclo anterior (2,84 milhões de toneladas). Pela primeira vez, o país ultrapassou a marca de 3 milhões de toneladas exportadas em um único ano.
De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a receita com as vendas externas cresceu 9,3%, alcançando US$ 5,3 bilhões. O resultado consolida o Brasil como o maior exportador mundial da fibra, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos.
“O Brasil conquistou escala, competitividade e confiança do mercado internacional. Mais do que comemorar um recorde, precisamos olhar para o que ele representa: o país se consolidou como um fornecedor estratégico de algodão para a indústria têxtil mundial”, destacou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa.
A China foi o principal destino do algodão brasileiro, com 770,5 mil toneladas (cerca de 23% do total). Bangladesh também se destacou, com um aumento de 173,2 mil toneladas nas compras. Outros mercados importantes incluem Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia.
Piccoli enfatizou a importância da diversificação dos destinos: “O mercado indiano, por exemplo, ampliou significativamente sua participação, enquanto China, Bangladesh e Turquia permaneceram entre os principais compradores. Essa presença em diferentes mercados reforça a competitividade do algodão brasileiro e amplia as oportunidades para toda a cadeia produtiva.”
Para a safra 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil continue liderando as exportações mundiais, com embarques estimados em 3,33 milhões de toneladas, contra 2,68 milhões dos EUA. Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor global, atrás de China e Índia, que consomem internamente sua produção. A produção brasileira para 2026/27 é estimada em 3,97 milhões de toneladas.
Piccoli concluiu: “Precisamos continuar investindo em qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade, inovação e relacionamento com os compradores.”