Brasil carece de política de renda rural, diz ex-ministro da Agricultura

O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (18 de junho) que o Brasil não possui uma política de renda rural nem uma estratégia clara para enfrentar os desafios atuais do campo. A declaração foi dada durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande (MS).

Rodrigues voltou a criticar os sucessivos bloqueios no orçamento do seguro rural e destacou que o setor vive uma crise sem precedentes, agravada por questões geopolíticas externas. “O Brasil não tem uma política de renda rural no campo, não temos estratégia. A primeira coisa que fiz como ministro foi criar o seguro rural. Ele tem 23 anos e nem 5% da área agrícola segurada porque o governo não faz a parte dele. É uma estupidez impressionante, porque o seguro rural é uma garantia ao governo”, afirmou.

Dados recentes mostram que quase metade do orçamento do seguro rural de 2026 foi bloqueada. O recurso disponível caiu de R$ 991,8 milhões para cerca de R$ 530,2 milhões, comprometendo a proteção dos produtores.

O ex-ministro também ressaltou que a crise atual é diferente das anteriores por ter raízes externas, como guerras e barreiras comerciais. “Passei por muitas crises, mas nenhuma como essa. Essa crise tem raízes externas, vencê-la vai demorar mais. Esse tsunami que está invadindo a agricultura brasileira e mundial vai passar para trás e vai arrancar quem não tem raiz funda. O conselho é agarrar no chão e ficar vivo, porque vai melhorar”, disse.

Segundo Rodrigues, as commodities serão a base da economia global em um futuro próximo. Ele enfatizou o potencial do Brasil para aumentar a produção e suprir a demanda mundial por alimentos e energia, mas alertou que os produtores precisam se preparar para resistir ao momento adverso.

O jornalista viajou a convite da JBS.

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