A relação comercial entre Brasil e Escócia vai além dos gramados. Enquanto a Seleção Brasileira enfrenta a Escócia na Copa do Mundo, os números do intercâmbio econômico entre os dois países impressionam: anualmente, o comércio bilateral gira entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões, segundo dados da HM Revenue & Customs (HMRC) e da Export Statistics Scotland.
O agronegócio e o setor de bebidas são os pilares dessa parceria. De um lado, o Brasil exporta café, açúcar, carnes, minério de ferro e celulose. Do outro, a Escócia vende whisky escocês, equipamentos para petróleo e gás, além de tecnologias offshore.
De acordo com James Mohr-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), as vendas escocesas ao Brasil somaram 925 milhões de libras esterlinas em 2023. O segmento de alimentos e bebidas respondeu por 100 milhões de libras, cerca de 10,9% do total exportado pela Escócia para o país. Atividades ligadas à agricultura, silvicultura, pesca e mineração representaram 635 milhões de libras (68,7%).
“As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente”, afirmou Mohr-Bell.
A história dessa relação remonta ao século XIX, quando imigrantes escoceses vieram ao Brasil em busca de oportunidades. Um dos legados mais marcantes foi a fundação da cervejaria Antarctica, em 1888, com participação do escocês William Mackenzie. Além disso, o futebol chegou ao país por meio de Charles Miller, descendente de escoceses.
Com o Brexit, o Reino Unido ganhou autonomia para negociar acordos comerciais próprios. Mohr-Bell avalia que o agronegócio brasileiro pode ampliar sua participação no mercado britânico, que importa cerca de metade dos alimentos que consome. “O país busca diversificar seus fornecedores, e o Brasil tem espaço para crescer”, completou.
O whisky escocês segue como o produto mais emblemático enviado ao Brasil, mas o gin, também produzido a partir de insumos agrícolas, ganha destaque. Para o futuro, as oportunidades se estendem a equipamentos e serviços para os setores de petróleo, gás e energia offshore.