O Brasil é o país com o maior número de startups voltadas ao agronegócio na América Latina, segundo o Radar Agtech América Latina e Caribe, levantamento inédito que mapeia o ecossistema de inovação agropecuária na região. Dos 2.653 negócios identificados, 2.075 são brasileiros, o equivalente a 78% do total.
O estudo, que será divulgado durante o World Agritech South America Summit, em São Paulo, é uma extensão do mapeamento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já realiza no país. Participaram também o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a consultoria Homo Ludens e a gestora SP Ventures, com apoio do Programa Cooperativo para Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) e do Instituto Tecnológico de Monterrey (México).
Na sequência do ranking aparecem Argentina (158 startups), México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74). Para Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa, o Brasil se destaca por ter uma estrutura de ciência e tecnologia voltada ao agro mais consolidada que a dos demais países da região. “Startups só nascem se dermos condições para elas, e o Brasil tem isso, com vários centros de pesquisa e universidades espalhados pelo país”, avalia.
Distribuição por cadeias produtivas e etapas
Do total de agtechs mapeadas, pouco mais da metade (1.480) atua em mais de uma cadeia produtiva. As que se dedicam exclusivamente a culturas agrícolas somam 751, enquanto 136 focam na pecuária de corte. Horticultura e fruticultura concentram 88 startups, e a silvicultura, 84.
Em relação às etapas de produção, 1.789 startups (67,4% do total) atuam “dentro da porteira”, oferecendo produtos e serviços para o dia a dia dos produtores. Já 649 (24,5%) estão no segmento “depois da fazenda”, e 628 (32,7%) atuam “antes da fazenda”.
Entre as categorias de atuação, a mais numerosa é a integração de sistemas, soluções e plataformas de dados, com 768 negócios. Em seguida vêm fertilizantes, inoculantes e nutrição vegetal (427 empresas) e drones, máquinas e equipamentos (254).
Favarin destaca que, assim como no restante da América Latina, os serviços voltados ao cotidiano dos produtores e à resolução de problemas dentro da propriedade são maioria entre as agtechs brasileiras. “O grande aprendizado é colocar cada vez mais o produtor no centro dessa equação”, afirma.
Perspectivas para o futuro
O analista acredita que, nas próximas edições, o levantamento deverá identificar mais empresas nos demais países da região. “A tendência é que o número fique mais próximo da realidade a partir da contribuição das instituições locais de cada país. No Brasil, já realizamos seis edições, então temos um nível alto de maturidade no mapeamento brasileiro”, explica.
Ele ressalta, no entanto, que “o radar é um mapeamento, e não um censo”. A partir dos dados, o estudo aponta que a cooperação regional é um fator-chave para o próximo ciclo de crescimento das agtechs latino-americanas, podendo acelerar investimentos, inovação e internacionalização das startups.