O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18/8) que acredita na reinclusão do Brasil na lista de países aptos a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia ainda em 2026. A declaração foi feita em entrevista à rádio Nova Brasil Recife, após a UE anunciar a retirada da autorização dos exportadores brasileiros a partir de setembro, devido à falta de comprovação do controle do uso de antimicrobianos nas cadeias animais.
“O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, explicou o ministro.
André de Paula destacou que o retorno efetivo das exportações dependerá do ciclo de vida de cada cadeia animal. Para a carne bovina, por exemplo, não há expectativa de retorno antes de dois anos, devido ao ciclo mais longo do boi. Já para aves, cujo ciclo é de 45 dias, a retomada pode ser mais rápida.
“Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia. Imagino que a carne bovina não volte em setembro porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, afirmou.
O ministro alertou que ficar fora da lista pode gerar impactos não só na UE, mas também em 10 a 18 países que seguem as exigências sanitárias europeias e podem replicar o veto. A Noruega já anunciou que espelhará a decisão da UE a partir de 3 de setembro.
“A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para uma lista de 10 a 18 países que seguem essas regras”, disse.
André de Paula repetiu que todo o governo está envolvido na busca por uma solução, desde a secretaria de Defesa Agropecuária até o chanceler Mauro Vieira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também lembrou que há interesses comerciais europeus em jogo, como a exportação de vinho pela França e azeite pela Espanha, e que o Brasil possui instrumentos importantes para negociar.
“Por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas. A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, concluiu.