Com a China planejando aumentar sua produção doméstica de carne e já impondo cotas de importação, o Brasil deve intensificar esforços em diplomacia comercial e inovação para manter sua competitividade no mercado global. A avaliação é de executivos do setor que participaram do Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou a necessidade de o Brasil investir mais em diplomacia comercial. “O ritmo de crescimento da produção brasileira nos últimos anos nos manda buscar mais e mais mercados”, afirmou durante o painel.
Para João Campos, presidente da Seara, a indústria brasileira precisa se reinventar para acompanhar as mudanças de consumo. “Há espaço para que os sistemas produtivos evoluam e a cadeia precisará continuar avançando em eficiência operacional, na velocidade das respostas às mudanças do mercado e em escala”, disse.
Miguel Gularte, diretor presidente da MBRF, acredita que a China continuará demandando carne do Brasil, paralelamente às mudanças no país, como a migração da população para as cidades e o aumento da renda. Ele também observou tendências globais, como o aumento de mulheres trabalhando fora de casa e buscando produtos de preparo mais rápido, além do uso de canetas emagrecedoras e maior preocupação com proteínas.
Canton, da Aurora, prevê que a indústria será redesenhada para produzir menos volume e mais itens com maior valor nutricional. “O comportamento do consumidor mostra uma mudança, da lógica do volume para a lógica do valor nutricional”, explicou.
Campos, da Seara, notou que as famílias estão ficando menores e o consumidor está mais preocupado com a informação sobre os alimentos. “Ele quer ler o rótulo, quer entender o que lê”, afirmou.
Os executivos concordam que o Brasil ainda pode aumentar a produtividade na cadeia de frango e em todos os elos da produção, com ganhos genéticos, profissionalização e melhorias na logística. “Temos muitas oportunidades, seja de melhorar para dentro como para fora”, concluiu Campos.