Em 2025, o Brasil atingiu um marco histórico na piscicultura: pela primeira vez, a produção de peixes de cultivo superou 1 milhão de toneladas, volume 60% maior que o registrado dez anos antes. O valor bruto da produção alcançou R$ 12,5 bilhões, e a atividade, antes marginal, hoje emprega diretamente cerca de 500 mil pessoas.
O grande motor desse crescimento foi a tilápia, que respondeu por 707 mil toneladas no ano passado – um aumento de 84% em relação ao período anterior. A espécie, originária da África e introduzida no Brasil por incentivo do governo federal, consolidou-se como a principal na piscicultura nacional. Segundo Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), há 12 anos a tilápia representava apenas 12% da produção; hoje, são 70%, com tendência de chegar a 82% em 2030.
O avanço foi puxado pelas indústrias de frango do Paraná, que trouxeram expertise, estrutura e canais de venda para o cultivo da tilápia. A cooperativa Copacol foi pioneira, há 18 anos, ao adotar o modelo de integração já consolidado na avicultura. Atualmente, 300 produtores cooperados atuam no cultivo, recebendo peixes, ração e assistência técnica, além da garantia de compra. As duas plantas frigoríficas da cooperativa abatem 210 mil peixes por dia.
Paralelamente, outras espécies exóticas ganham espaço. Em Mococa (SP), o produtor Martinho Colpani Filho, que começou na atividade ainda adolescente, apostou no panga (Pangasianodon hypophthalmus), originário do Vietnã. Após décadas experimentando diferentes peixes, ele fundou a ABC Panga e a Cooperpanga, reunindo 43 produtores. Com apoio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), 25 cooperados investiram R$ 200 mil cada no cultivo do panga, que hoje é comercializado pela Colpani Pescados.
A piscicultura, que antes era vista como excentricidade, transformou-se em um negócio robusto e essencial para a economia rural. O exemplo de Martinho e de tantos outros produtores mostra como a inovação e a persistência podem levar o agronegócio brasileiro a novos patamares.