Café arábica tem alta de 15% em Nova York com risco do El Niño para safra do Brasil

O preço do café arábica disparou no primeiro pregão da semana na bolsa de Nova York, refletindo a crescente preocupação dos investidores com os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño na safra brasileira. Os contratos com entrega para setembro de 2026 encerraram o dia com valorização de 15,3%, cotados a US$ 3,63 por libra-peso.

Segundo analistas, o mercado operou em campo positivo durante todo o pregão, impulsionado pelo receio de que as projeções otimistas para a colheita brasileira não se concretizem. “O café foi visto como um ativo de oportunidade, porque o El Niño está vindo forte e aquela disponibilidade que o mercado achou que teria de imediato não está se concretizando na prática”, afirmou Antônio Pancieri Neto, corretor da Painel do Café.

Outro fator que sustenta as cotações é a estrutura de preços invertida (backwardation), que indica oferta apertada e demanda firme no longo prazo, conforme destacou a plataforma Barchart. Apesar dos temores climáticos, não há previsão de danos imediatos para os cafezais. A corretora Terra Investimentos informou que não há indicativo de frio extremo ou geadas na atual semana, mantendo o foco do mercado na evolução da colheita e na secagem dos grãos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de café pode atingir 66,7 milhões de sacas em 2026, um aumento de 18% em relação ao ciclo anterior, o que representaria um recorde histórico se confirmado.

No mesmo pregão, outras commodities também registraram ganhos expressivos. O cacau avançou 2,20% em Nova York, para US$ 5.058 por tonelada, amparado por preocupações com a produção na Costa do Marfim. O açúcar demerara subiu 2,49%, a 15,22 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o algodão fechou em alta de 1,90% e o suco de laranja concentrado congelado (FCOJ) saltou 5,03%.

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