O agronegócio brasileiro marcou presença na Fórmula 1 muito antes dos combustíveis sustentáveis entrarem em pauta. Nas décadas de 1970 e 1980, marcas ligadas ao café e ao açúcar do Brasil estamparam capacetes e patrocinaram equipes, tendo os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi como protagonistas.
Um dos exemplos mais emblemáticos é a marca Café do Brasil, do Instituto Brasileiro do Café (IBC), que apareceu no capacete de Emerson Fittipaldi durante sua passagem pela categoria. Um registro do Diário do Congresso Nacional, de junho de 1974, já listava a marca entre os patrocinadores do piloto. A iniciativa fazia parte de uma estratégia de divulgação do café brasileiro no exterior, aproveitando a visibilidade internacional de Emerson.
A presença do agro na Fórmula 1 foi além dos patrocínios individuais. Em 1975, os irmãos Fittipaldi criaram uma equipe própria, financiada pela Copersucar, empresa do setor sucroenergético. O projeto começou em 1973, quando Emerson e Wilson decidiram montar uma escuderia brasileira. Emerson deixou a McLaren, onde conquistou dois títulos mundiais, para se juntar ao irmão.
A equipe estreou no Grande Prêmio da Argentina, em janeiro de 1975, com o modelo FD-01, projetado por Ricardo Divila. Wilson foi o primeiro piloto, e Emerson passou a integrar a escuderia em 1976. Conhecida como Copersucar-Fittipaldi, a equipe depois adotou o nome Fittipaldi Automotive. O patrocínio colocou uma empresa brasileira do setor sucroenergético em evidência na principal categoria do automobilismo mundial.
Um dos resultados mais importantes foi o pódio no Grande Prêmio do Brasil de 1978, quando Emerson Fittipaldi terminou em segundo lugar. Foi o primeiro pódio da equipe, conquistado diante do público brasileiro. Naquele ano, a escuderia terminou o campeonato de construtores na sétima posição, à frente de equipes tradicionais como McLaren e Renault.
A equipe permaneceu na categoria até 1982, sem conquistar uma vitória, mas deixou um legado: o café estampado no capacete de Emerson e o açúcar da Copersucar como símbolos da união entre o agro brasileiro e o automobilismo.