Os preços do café na bolsa de Nova York registraram forte alta nesta segunda-feira, impulsionados pelo atraso na colheita da safra brasileira e pela lentidão nas vendas do grão, que tem gerado um estrangulamento no abastecimento global. Os contratos com entrega para dezembro fecharam com valorização de 5,89%, cotados a US$ 3,4165 a libra-peso.
De acordo com a consultoria StoneX, a postura cautelosa dos produtores brasileiros, combinada com o ritmo mais lento da colheita, tem pressionado os estoques de importadores nos Estados Unidos, Europa e Japão, que já operam com níveis baixos.
Na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), a colheita de café arábica atingiu 87% dos cafezais até a última sexta-feira (21/8). O índice representa um leve atraso em relação ao mesmo período de 2025, quando a safra era menor e 90% dos trabalhos já haviam sido concluídos.
O clima também segue no radar dos investidores. A StoneX destaca que o foco agora recai sobre as floradas e o impacto das chuvas no cinturão cafeeiro. Há previsão de precipitações significativas nesta semana, com volumes mais elevados no Cerrado Mineiro e reflexos em outras regiões produtoras de arábica, como Sul de Minas, São Paulo e Matas de Minas.
Para o início de setembro, entre os dias 2 e 3, a previsão aponta novas pancadas de até 30 milímetros em um único dia, o que pode funcionar como gatilho para boa parte das floradas nas áreas de arábica.
“O mercado aguarda os gatilhos de chuva para o arábica. A partir de então, a continuidade das precipitações e o controle das temperaturas serão fundamentais para garantir o pegamento dos frutos pós-florada e o adequado desenvolvimento nos estágios iniciais”, destacou Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX, em relatório.
Outras commodities
O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) também fechou em forte alta na bolsa de Nova York. Os contratos para novembro subiram 2,85%, a US$ 1,5895 a libra-peso. Já o cacau se desvalorizou, com os lotes para dezembro caindo 1,47%, para US$ 5.945 a tonelada. O algodão registrou alta tímida: os lotes para dezembro avançaram 0,54%, cotados a 88,83 centavos de dólar a libra-peso.