As preocupações com a oferta de café e os impactos do El Niño para a produção seguem impactando as negociações na bolsa de Nova York. Nesta quarta-feira (15/7), os contratos do café para setembro fecharam em alta de 0,20%, para US$ 3,2675 a libra-peso.
O mercado segue direcionado por relatos de atraso na colheita da safra brasileira e por notícias sobre piora na qualidade dos grãos colhidos, que foram prejudicados pelo excesso de chuvas nas últimas semanas.
Na avaliação da StoneX, o atraso na colheita e a evolução do fenômeno El Niño com seus potenciais impactos em regiões produtoras importantes devem movimentar os preços internacionais nos próximos meses.
Os repiques nos preços em junho mostram que o mercado segue sensível a fatores que possam comprometer a disponibilidade de café. A colheita no Brasil sofreu atrasos devido a chuvas acima da média em junho. A comercialização pelos produtores também foi mais lenta que a média histórica, enquanto os estoques certificados da ICE recuavam. Tudo isso deu sustentação temporária às cotações.
O consumo global, por sua vez, não dá sinais de deterioração, o que deve ajudar a sustentar os preços da commodity. Embora o cenário no curto prazo seja de uma oferta mais confortável, a StoneX destaca que as atenções devem se voltar para os riscos climáticos ao longo do trimestre.
Os modelos climáticos indicam probabilidade superior a 80% de manutenção do El Niño durante o segundo semestre, com risco crescente de intensificação para níveis fortes ou muito fortes até o final do ano. No Brasil, as condições atuais das lavouras são consideradas positivas, mas o comportamento do El Niño entre setembro e outubro será determinante para o potencial produtivo da safra 2027/28.
Brasil, Vietnã e Indonésia aparecem entre as regiões mais vulneráveis a condições de calor e seca associadas ao fenômeno climático, o que pode mudar as perspectivas de produção para 2027.
Segundo a StoneX, a duração do El Niño será tão importante quanto sua intensidade. Caso haja enfraquecimento já no início de 2027, os riscos para a produção global poderão ser limitados. Mas, se o fenômeno persistir em níveis elevados, o mercado poderá começar a incorporar um prêmio climático às cotações ainda no final de 2026.
“Hoje o mercado trabalha com a expectativa de oferta abundante no curto prazo, mas o comportamento do El Niño pode redefinir as perspectivas para a safra seguinte. Por isso, apesar do cenário potencialmente baixista para os próximos meses, a volatilidade continua sendo uma característica importante para o café”, concluiu Rossetti.
Além do café, outras commodities também tiveram movimentações na bolsa de Nova York. O cacau fechou em alta de 1,33%, a US$ 5.883 a tonelada. O açúcar demerara recuou 0,20%, a 14,85 centavos de dólar por libra-peso. O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) caiu 1%, a US$ 1,3885 a libra-peso. Já o algodão subiu 0,84%, a 81,55 centavos de dólar por libra-peso.