Ceaflor investe R$ 62 milhões em nova expansão e planeja dobrar capacidade em Holambra

O Ceaflor, mercado permanente de flores, plantas e acessórios localizado em Holambra (SP), deu início à terceira etapa de sua expansão. Com investimento estimado em R$ 62 milhões, o empreendimento adquiriu uma área de 116.092 m² ao lado do complexo atual. No local, serão construídos novos espaços comerciais, estacionamento e uma área para eventos. Ao final das obras, a estrutura terá o dobro do tamanho original, inaugurado em 2019.

Atualmente, o Ceaflor reúne 441 empresas – 234 produtores e 207 comerciantes – e movimenta cerca de R$ 1,3 bilhão por ano. O número de boxes passará de 946 para 1.084, com 140 novos espaços. Mais da metade deles já foi negociada internamente com produtores e comerciantes que desejam ampliar seus negócios.

Demanda crescente impulsiona investimento

Segundo o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, a decisão de ampliar novamente o empreendimento reflete a evolução constante desde a inauguração. “Inauguramos em setembro de 2019 com o objetivo de criar o mais completo mercado de flores e plantas do Brasil. Menos de um ano depois, mesmo enfrentando a pandemia, percebemos que a estrutura já havia ficado pequena. O crescimento foi muito mais rápido do que imaginávamos”, afirma.

A primeira ampliação ocorreu durante a pandemia, com acréscimo de 270 boxes e centenas de vagas para caminhões. Agora, o novo investimento busca atender demanda reprimida, especialmente nos segmentos de flores de corte e paisagismo, além de melhorar a infraestrutura para compradores.

Movimento crescente

O ritmo de expansão acompanha o aumento da movimentação registrada. Entre 2024 e 2025, o fluxo de veículos cresceu 12,3%, considerando caminhões, utilitários e automóveis. Nas segundas e quartas-feiras, dias das feiras atacadistas, cerca de 750 caminhões circulam diariamente pelo complexo.

O principal público comprador é formado por atacadistas que distribuem flores e plantas para diversos estados brasileiros, além de floriculturas, garden centers, supermercados, paisagistas e decoradores.

Modelo de negócios e captação

A expansão foi aprovada em assembleia em abril de 2026. Como sociedade anônima de capital fechado, o Ceaflor estruturou a captação por meio da venda de ações e da cessão de uso dos novos boxes. Foram comercializadas 20 mil ações, levantando R$ 34 milhões. Outros R$ 8 milhões deverão ser obtidos com a venda dos boxes, recursos destinados às obras. Os novos acionistas passarão a receber dividendos após o início das operações da nova estrutura, previsto para 2028, com distribuição de resultados a partir de 2029.

Entre os investidores está Felipe Pitoli, da Natuflora, de Nova Odessa (SP), que comercializa no Ceaflor desde a inauguração. “Estando aqui toda semana, vi crescer o movimento de pessoas, o tamanho que o Ceaflor ficou e toda sua prosperidade. Isso dá muita segurança para investir”, afirma.

Outro produtor que ampliou sua participação é o engenheiro agrônomo Sérgio Toshio Fukasawa, da Flores Fukasawa, de Campinas (SP), acionista desde 2019. “O Ceaflor é uma extensão do nosso negócio. Quando investimos na infraestrutura do mercado, estamos investindo também na nossa empresa”, destaca.

Setores em destaque

Os novos boxes serão distribuídos entre os cinco setores do mercado: insumos para paisagismo e jardinagem, acessórios para floriculturas, flores de corte, flores e plantas envasadas e plantas ornamentais para paisagismo. A maior procura pela expansão vem das flores de corte, segmento que voltou a crescer com força após a retomada dos eventos sociais e corporativos pós-pandemia.

“Durante a pandemia, esse segmento sofreu bastante porque casamentos, formaturas e confraternizações deixaram de acontecer. Com a retomada dos eventos, a demanda voltou muito forte e hoje é justamente a área que mais necessita de novos boxes”, explica Rodrigues.

Ao mesmo tempo, o paisagismo se tornou o maior segmento comercial do empreendimento, impulsionado pelo aumento do interesse dos brasileiros por jardins e plantas ornamentais. “Hoje podemos dizer que o paisagismo é o maior setor do Ceaflor. Começou equilibrado em relação aos demais, mas ganhou destaque e hoje lidera”, conclui o presidente.

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