Uma iniciativa inédita no Ceará promete transformar resíduos orgânicos agroindustriais e urbanos em biometano de padrão comercial. O projeto, liderado pelo Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec), combina materiais adsorventes, microalgas e inteligência artificial para purificar o biogás e viabilizar seu uso como biocombustível.
Com investimento total de R$ 1,4 milhão, financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e assistência da Fundação de Desenvolvimento de Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), o projeto está sendo executado na unidade piloto do Nutec, em Fortaleza. A infraestrutura já conta com biodigestores de 1.000 litros, laboratórios analíticos e sistemas de monitoramento de gases.
A coordenadora do projeto, Antônia Fádia Valentim de Amorim, explica que o objetivo é desenvolver e validar, em escala piloto, um sistema integrado capaz de produzir biometano com pureza mínima de 90% de metano. “O biogás bruto gerado pela decomposição de matéria orgânica contém grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) e sulfeto de hidrogênio (H2S), compostos que reduzem o poder energético do gás e corroem equipamentos, inviabilizando seu uso direto”, observa.
“Nesse contexto, o Nutec lidera o desenvolvimento de tecnologias de baixo custo para remover esses contaminantes e elevar o biogás ao nível de biocombustível comercializável”, complementa a pesquisadora.
A iniciativa representa um avanço significativo para o setor de biocombustíveis no Brasil, especialmente no Nordeste, ao transformar resíduos que antes eram descartados em uma fonte de energia limpa e renovável.