CerradinhoBio amplia lucro em 90% na safra 2025/26 e aposta no etanol de milho

A CerradinhoBio, que começou como destilaria de etanol de cana-de-açúcar em Chapadão do Céu (GO) em 2007, passou por uma transformação significativa nos últimos anos. Com investimentos em energia, açúcar e milho, a companhia hoje tem a maior parte de seus resultados vindos do etanol de milho. Na safra 2025/26, registrou lucro líquido de R$ 372,7 milhões, expansão de 90% em relação ao período anterior.

O CEO da CerradinhoBio, Renato Pretti, destacou que o crescimento do resultado líquido foi impulsionado tanto pelo etanol de milho quanto pela cana, após investimentos em capacidade de produção de açúcar. No etanol de milho, os ganhos de eficiência operacional foram determinantes.

Da receita líquida de R$ 4,3 bilhões na safra passada, metade veio das vendas de etanol de milho, que cresceram 19%. Esse segmento inclui também DDG e óleo de milho. Já a receita com açúcar VHP saltou 176%, para R$ 898 milhões, resultado direto da expansão da fábrica. A empresa conseguiu vender o açúcar a preços acima do mercado graças a operações de hedge realizadas antes do aumento de capacidade.

Para a safra 2026/27, a CerradinhoBio já tem preços travados para exportação de açúcar acima dos atuais patamares de mercado, garantindo competitividade adicional, segundo Pretti.

No início de junho, a companhia iniciou a operação da ampliação da fábrica de etanol de milho em Chapadão do Céu, após investimento de R$ 140 milhões. A unidade agora pode processar 1,2 milhão de toneladas de milho por ano, ante 800 mil toneladas anteriormente. Pretti espera que a participação do negócio de milho nos resultados seja ainda maior nesta safra.

Com usina flex em Goiás e usina de etanol de milho em Maracaju (MS), a CerradinhoBio é a terceira maior produtora de etanol de milho do país, atrás apenas de Inpasa e FS. Para Pretti, a expansão da oferta de etanol no Brasil deve vir do milho, por ser mais competitivo, com projetos mais leves e ágeis, e boa sinergia com novas fronteiras agrícolas.

A empresa já planeja nova ampliação da planta de Chapadão do Céu e avalia expansão da usina de Maracaju, embora com cautela devido ao ambiente de juros altos. A alavancagem da companhia caiu para 1,4 vez na safra 2025/26, ante 4,79 vezes dois anos atrás, após renegociação de métricas financeiras.

Para manter investimentos, a CerradinhoBio busca fontes de financiamento mais baratas, como o Fundo Clima do BNDES usado na recente expansão. A empresa também trabalha em projeto de eficiência energética para reduzir a dependência de biomassa alternativa, que atualmente representa 40% da energia consumida na produção.

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