China amplia produção de frango e BTG Pactual alerta para riscos ao Brasil

Tradicionalmente visto como um dos maiores importadores globais de alimentos, a China está se tornando também um grande exportador de carne de frango, segundo relatório do banco BTG Pactual divulgado nesta sexta-feira (17/7). O documento afirma, citando dados do USDA (o departamento de agricultura dos Estados Unidos), que as exportações cresceram 41% em 2025, para quase 1,1 milhão de toneladas.

A projeção para 2026 é de 1,4 milhão de toneladas, o que faria da China o terceiro maior exportador mundial, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos. A estimativa do BTG Pactual é de que a participação chinesa nas exportações globais chegue a 9,5% neste ano. Em 2024, esse percentual foi de 6%.

A China já é o segundo maior produtor mundial de frango, conforme o relatório, com crescimento previsto de 5% em 2026, totalizando 17,3 milhões de toneladas.

Segundo o banco, o aumento da oferta exportável tende a elevar a concorrência internacional e pressionar os preços globais da carne de frango. No que se refere à competitividade, o BTG Pactual aponta que há pouca transparência sobre os custos de produção chineses.

A China continua importando produtos muito consumidos internamente, como pés de frango, ao mesmo tempo em que aumenta as exportações de cortes com menor demanda doméstica, como o peito de frango (principal corte exportado pelo Brasil nos últimos 12 meses).

Chineses ampliaram exportações de cortes com menor demanda doméstica, como o peito de frango — Foto: Canva/Creative Commons

O relatório aponta ainda que grandes compradores do frango brasileiro, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estão geograficamente mais próximos da China. “Se o país continuar expandindo sua produção e conquistando acesso a novos mercados, poderá se tornar um importante risco estrutural para os preços obtidos pelos exportadores brasileiros de carne de frango”, conclui o relatório.

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