O ex-presidente do New Development Bank (NDB), o banco dos BRICs, Marcos Troyjo, afirmou que, embora a China deva reduzir suas importações de alimentos nos próximos anos em busca de maior autossuficiência, o país asiático continuará aumentando as compras de produtos brasileiros. A declaração foi feita durante evento em Barretos (SP) promovido pela Minerva Foods.
“Em minha avaliação, a China deve importar menos alimentos da Europa, dos Estados Unidos, da Austrália, da Nova Zelândia mas, curiosamente, vai comprar mais alimentos do Brasil. Apesar de buscarem ser independentes, os chineses terão de escolher com quem serão interdependentes, e minha aposta é que escolherão ser mais interdependentes com o Brasil”, disse Troyjo, que também integra o Conselho de Administração da Minerva Foods.
Em tom descontraído, o executivo comparou a América do Sul a um “beef valley” e o Brasil a “Palo Alto”, em referência ao Silicon Valley. O professor do Insper Global, Marcos Jank, corroborou a visão ao lembrar que a China não conseguirá se tornar autossuficiente na produção de carne bovina e grãos por falta de área apropriada. “Em boi e soja, a China nunca será autossuficiente”, afirmou.
Troyjo também destacou que o Brasil está “subutilizando” seu potencial comercial com os Estados Unidos. “Mesmo com todo o protecionismo, os americanos estão comprando 13% do seu PIB em importações. O Brasil representa apenas 1% do que os Estados Unidos compram, há um potencial muito grande a explorar”, disse. Ele ponderou, porém, que o momento político entre os dois países é desfavorável.
A análise reforça a importância estratégica do Brasil como fornecedor de alimentos para a China, mesmo em um cenário de redução global das compras chinesas.