Nas últimas duas semanas, a China deu preferência à soja dos Estados Unidos, fazendo com que o Brasil, maior exportador mundial do grão, perdesse espaço no mercado chinês, pelo menos por enquanto. Entre os dias 3 e 7 de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) comunicou a venda de quase 1 milhão de toneladas de soja americana com destino à China. Além disso, agências internacionais informaram que outras 1,8 milhão de toneladas teriam sido adquiridas pelo governo chinês.
Segundo Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica, a Sinograin, empresa estatal chinesa, comprou 15 navios de soja dos EUA com entrega programada para outubro e novembro. No mesmo período, foram apenas dois navios contratados do Brasil. Ele destaca que essa preferência pela soja americana começou de forma antecipada, já que o comércio entre os países geralmente ganha ritmo a partir de setembro.
Apesar da aceleração das vendas americanas, indicando demanda aquecida, os preços da soja não responderam como esperado. Na bolsa de Chicago, as cotações registraram queda de 1% na semana. “As compras aconteceram sim, mas não são grandes quantidades, e portanto não alteram significativamente o quadro de oferta e demanda dos EUA. Até o momento, o volume das importações da China está em linha com anos anteriores”, afirmou o analista.
Por fim, ainda que em menor quantidade, o Brasil deve continuar abastecendo a China com soja em agosto. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o país deverá enviar ao exterior 9,7 milhões de toneladas da oleaginosa em grão este mês. Desse volume, cerca de 5 milhões terão como destino o mercado chinês, estimou o analista da T&F.