O mercado cafeeiro foi fortemente influenciado pelo volume atípico de chuvas registrado nas principais regiões produtoras de arábica do Brasil em junho, apontam pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Historicamente, este mês é caracterizado por precipitações muito limitadas, mas, em 2026, os volumes foram expressivos nas principais praças, comprometendo o andamento da colheita da safra 2026/27.
De acordo com o Cepea, além de derrubarem grãos dos pés, as chuvas inviabilizam a secagem nos terreiros e influenciam o aparecimento de mofo tanto nos grãos caídos no chão quanto naqueles ainda na planta, gerando preocupação relevante com a qualidade dos lotes.
“As condições climáticas atuais preocupam, visto que o excesso de chuvas nesse período pode induzir flores antecipadas nos cafezais, o que, por sua vez, pode atrapalhar a safra que será colhida no meio do ano que vem no Brasil”, alertam agentes consultados pelo Cepea.
Além disso, os estoques globais de café seguem apertados e se conta muito com a produção brasileira para aumentá-los. A situação climática adversa eleva a incerteza sobre a oferta e pressiona ainda mais o mercado, que já opera com margens reduzidas.
Produtores de regiões como Cerrado Mineiro também relataram atrasos na colheita devido às chuvas, conforme informações de cooperativas locais. A combinação de grãos danificados, dificuldade de secagem e risco de floradas fora de época coloca em xeque não apenas a qualidade do café colhido agora, mas também a produtividade da próxima safra.
O cenário reforça a necessidade de monitoramento constante e adoção de práticas de manejo que minimizem os danos causados por eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes no contexto das mudanças climáticas.