Pelo menos 20 empresas de carne bovina do Brasil participam da China International Import Expo (CIIE), que começa em 5 de novembro em Xangai. O evento reúne mais de 4,1 mil expositores de mais de 150 países e é considerado um termômetro importante para avaliar o ritmo dos negócios dos frigoríficos brasileiros com o mercado chinês.
As indústrias brasileiras estarão reunidas no espaço da marca Brazilian Beef, em parceria da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). “A CIIE acontece em um momento importante para o comércio de carne bovina entre Brasil e China. Será um termômetro importante para avaliar o ritmo dos negócios, a demanda dos importadores e as perspectivas para os próximos meses”, afirma o presidente da Abiec, Roberto Perosa.
Na edição de 2025, as empresas brasileiras negociaram US$ 48,26 milhões durante o evento e projetaram US$ 1,15 bilhão para os 12 meses seguintes. A China é o principal comprador da carne bovina brasileira. Atualmente, o Brasil possui 69 plantas frigoríficas habilitadas para exportar ao país, distribuídas entre 32 empresas e 12 estados.
A China exige condições sanitárias e de manejo específicas, como abate de animais com menos de 30 meses, até quatro dentes incisivos e sem sinais de doenças, o que deu origem ao chamado “boi-China”. No ano passado, as exportações para o mercado chinês somaram 1,64 milhão de toneladas, 47,53% de todo o volume embarcado. Neste ano, as vendas foram limitadas a 1,1 milhão de toneladas, cota imposta pelo governo chinês após a adoção de salvaguardas. Os embarques acima desse volume estão sujeitos a uma tarifa de importação de 55%, o que praticamente inviabiliza os negócios.
A cota foi cumprida em setembro e, desde julho, as vendas já estavam quase paradas. A cota reabre em janeiro. A perspectiva de retorno do mercado chinês tem sustentado os preços do boi gordo no mercado brasileiro. Em outubro, o indicador do Cepea acumulou alta de 7,03%, chegando a R$ 389,90 por arroba.
A Abiec avalia que, em 2027, os frigoríficos brasileiros devem totalizar 1,1 milhão de toneladas exportadas para a China antes do que em 2026. Perosa indicou essa possibilidade durante o Salão Internacional da Alimentação (Sial), em Paris, onde as indústrias de carne bovina fecharam US$ 530 milhões em negócios e projetaram US$ 1,7 bilhão para os próximos 12 meses. “As empresas estão voltando a produzir carne para a China. Precisa ter uma conjuntura de coisas de transporte marítimo para chegar na data certa, chegar somente em janeiro. Mas, pelo volume de produção, a cota tende a se encerrar mais cedo no ano que vem”, disse Perosa.
Na CIIE, a expectativa é ter uma perspectiva mais clara do ritmo dos negócios. “A China segue como nosso principal parceiro comercial, e nossa expectativa é fortalecer essa relação e ampliar as oportunidades dentro das condições estabelecidas para o próximo ano”, completa Perosa.