CME Group amplia portfólio com novos contratos de commodities agrícolas e alimentos em meio a riscos climáticos e comerciais

O CME Group, maior mercado de derivativos do mundo e controlador da Bolsa de Chicago, anunciou o lançamento de novos contratos futuros de commodities agrícolas e alimentos, incluindo sorgo e carne bovina para processamento, como parte de uma estratégia para atender à crescente demanda por proteção contra riscos climáticos e comerciais. Em entrevista exclusiva ao Valor durante passagem pelo Brasil, John Ricci, chefe global de produtos agrícolas do grupo, destacou que fatores como tensões geopolíticas, extremos climáticos e mudanças nos hábitos de consumo estão impulsionando a busca por hedge no mercado futuro.

“A agricultura é a única atividade que impacta todas as pessoas do planeta. Estamos sempre pensando em inovar, pois os riscos e as necessidades dos clientes estão mudando”, afirmou Ricci. O executivo revelou que o CME planeja lançar mais contratos em 2027 e iniciar operações no mercado europeu de lácteos.

O volume médio diário de contratos agrícolas negociados atingiu 2,1 milhões, um recorde histórico, com destaque para a soja, que registrou 1,1 milhão de contratos em aberto em setembro. Esse crescimento reflete a necessidade de estratégias de hedge em um cenário de volatilidade, impulsionado por choques de oferta e demanda, além do avanço das energias renováveis, como o biodiesel.

Clima impulsiona contratos de sorgo

As mudanças climáticas são um tema central nas discussões do CME com seus clientes. Em resposta aos problemas nas lavouras, o grupo lançou, em 24 de agosto, contratos de sorgo com entrega física. “O sorgo exige menos água e fertilizantes, e tem múltiplos usos, como alimentação humana, ração animal e produção de etanol”, explicou Ricci. A precificação é baseada em um diferencial em relação ao milho, o que trouxe transparência ao mercado.

Crise da carne leva a novidades no mercado pecuário

Com o rebanho bovino dos EUA no menor nível em 75 anos, os preços da carne atingiram recordes. O CME lançou contratos para “aparas de carne magra” (beef trim), utilizadas principalmente na indústria de hambúrgueres, para ajudar frigoríficos e pecuaristas a gerenciar custos. Brasil, Austrália e Nova Zelândia são fornecedores dessa matéria-prima.

Além disso, o grupo criou o Agriculture Index, um indicador abrangente que engloba grãos, oleaginosas, pecuária, laticínios e madeira, oferecendo uma referência diversificada para o setor.

Próximos passos: foco em proteínas e lácteos

A busca global por proteínas, impulsionada também pelo avanço das “canetas emagrecedoras”, está redirecionando a produção de leite para itens de maior margem, como iogurte, queijos e whey protein. O CME planeja expandir sua atuação no mercado de lácteos europeu para atender a essa demanda.

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