Com alta de 11%, cooperativas agropecuárias registram receita recorde de R$ 487 bilhões em 2025

As cooperativas agropecuárias brasileiras alcançaram uma receita de R$ 487,3 bilhões em 2025, um crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior, aproximando-se da marca de meio trilhão de reais. O resultado foi impulsionado principalmente pela elevação dos preços dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, e pela valorização de produtos como café e proteínas animais.

No entanto, o cenário de custos elevados afetou as sobras — o lucro das cooperativas — que recuaram 3,3%, passando de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, o equivalente a 6% do faturamento total. Os dados são do Anuário do Cooperativismo 2025, divulgado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

O ramo agropecuário responde por 53% da originação de grãos e fibras no país, com destaque para culturas de inverno, leite e proteínas animais. As cooperativas empregam 277,2 mil pessoas diretamente e reúnem 1,1 milhão de cooperados. Os ativos totais somaram R$ 340 bilhões, alta de 10,6%.

Para Tânia Zanella, presidente-executiva da OCB, o modelo cooperativista é consistente e foca na perenidade e sustentabilidade. Ela destacou a importância da solidez das instituições, algumas com mais de 100 anos. Um dos desafios apontados é a profissionalização da gestão, com separação entre conselhos administrativos e executivos.

As cooperativas são responsáveis por 25% da capacidade de armazenagem do Brasil e por 10,3% das exportações do agronegócio. São 140 cooperativas exportadoras, com faturamento próximo a US$ 17 bilhões em 2025. Os principais produtos exportados incluem café não torrado, carne de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja, com destino a países como China, Estados Unidos, Alemanha e França.

Desde 2020, a receita das cooperativas mais que dobrou, passando de R$ 239,4 bilhões para R$ 487,3 bilhões, enquanto as sobras triplicaram. Para 2026, a OCB não prevê reduções significativas, mas também não espera crescimento de dois dígitos, segundo João José Prieto Flávio, gerente técnico e econômico da entidade. Ele ressaltou que as cooperativas atuam como um “colchão de amortecimento” para os produtores em momentos de aperto financeiro, climático ou de endividamento.

Clara Maffia, gerente-geral da OCB, afirmou que o ramo agropecuário mostrou resiliência acima da média, mesmo diante de desafios climáticos e econômicos. A meta do sistema cooperativista brasileiro é alcançar R$ 1 trilhão de receita até 2028. Considerando todos os oito ramos, as cooperativas tiveram receita de R$ 848,3 bilhões em 2025, com o agropecuário representando 57,4% do total.

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