Com resíduo do milho, agro chega ao asfalto: Petrobras usa óleo de milho em pavimentação renovável

Desde 2025, a Petrobras produz cimento asfáltico de petróleo (CAP) com conteúdo renovável, usando um resíduo das agroindústrias de milho. O produto, conhecido como TCO (óleo técnico de milho), é usado como diluente na produção de asfalto na refinaria de São José dos Campos (SP), a Revap, substituindo derivados fósseis.

O TCO é um subproduto do processamento do milho nas usinas de etanol, com elevado nível de acidez, o que permite substituir diluentes de origem fóssil. Até agora, a Petrobras já produziu 95 mil toneladas de CAP renovável, o que seria suficiente para asfaltar a distância entre São Paulo e Rio (ida e volta).

Embora o uso de matéria-prima renovável represente apenas de 1% a 2% do total, a escolha do TCO se deu pela garantia de oferta elevada e constante, impulsionada pela expansão do parque industrial de etanol de milho no Centro-Oeste. A capacidade de produção de etanol de milho cresceu 7.121% em dez anos, segundo a Unem, e cada tonelada de milho gera, em média, 18 quilos de TCO.

A Petrobras firmou contrato com a Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil, para compra do TCO. Com a expansão da empresa, a capacidade de TCO deve passar de 340 mil para 450 mil toneladas até 2027. O preço do TCO, em torno de R$ 6,5 mil por tonelada, é competitivo frente a outras opções, como o óleo de soja, e a oferta crescente tem tornado o produto atrativo também para biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF).

Assim, o agro, que já está presente na alimentação, no combustível e em diversos setores, agora chega também ao asfalto, mostrando o potencial da integração entre a produção agrícola e a indústria de infraestrutura.

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