Como a tecnologia auxilia produtores rurais no combate a incêndios agravados pelo El Niño

Com as adversidades climáticas cada vez mais frequentes, o avanço das altas temperaturas e as secas severas provocadas pelo El Niño, produtores rurais, empresas, governos e organizações não governamentais intensificam a busca por alternativas para prevenir incêndios e reduzir os riscos aos ecossistemas e às lavouras. Na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, projetos e articulações entre instituições já utilizam inteligência artificial, monitoramento em tempo real e sistemas de capacitação para fortalecer a gestão territorial.

Pantanal: cinturão tecnológico com torres de monitoramento

No Pantanal, a produtora de celulose Bracell, em parceria com o governo de Mato Grosso do Sul, estruturou um cinturão tecnológico ao financiar uma solução desenvolvida pela startup Umgrauemeio. A iniciativa integra o Compromisso Um-Para-Um, diretriz da empresa que apoia a preservação de mais de 189 mil hectares de floresta nativa no Estado. Segundo a companhia, a tecnologia reúne duas torres movidas a energia solar, equipadas com câmeras em alta definição e algoritmos capazes de identificar fumaça e focos de calor em segundos no Parque Estadual Pantanal do Rio Negro, área protegida de 76.852 hectares. Em seguida, o sistema envia as imagens e as coordenadas geográficas à central de monitoramento do Corpo de Bombeiros, em Campo Grande.

João Augusti, gerente de Sustentabilidade da Bracell, explica que a tecnologia não substitui o trabalho dos brigadistas e bombeiros, mas amplia a capacidade de resposta e direciona a atuação das equipes. “O grande gargalo no Pantanal sempre foi o tempo de resposta. Tiramos as equipes do escuro, permitindo que a resposta ocorra quando o fogo ainda é totalmente controlável”, afirma.

Cerrado e Amazônia: capacitação de brigadas comunitárias

No Cerrado e na Amazônia, a organização Aliança da Terra aposta na mobilização comunitária e no fortalecimento das redes de resposta tática no campo. Na última temporada, a iniciativa ajudou a reduzir em 89,6% a área queimada no território monitorado em Paragominas (PA). Para garantir o contingente operacional e capacitar moradores e produtores locais, a organização realizou, entre os dias 5 e 7 de agosto, um treinamento gratuito e processo seletivo para a formação de novos brigadistas na Associação dos Produtores Rurais de Paragonorte.

Caroline Nóbrega, diretora-geral da Aliança da Terra, afirma que a combinação entre inovação tecnológica e inteligência social representa uma estratégia essencial no combate ao fogo, sobretudo em condições extremas como as provocadas pelo El Niño. “Enfrentar os incêndios em biomas estratégicos exige antecipação. Formar brigadas comunitárias e construir uma rede de confiança no campo é o investimento mais seguro e sustentável para resguardar a biodiversidade e o patrimônio do produtor rural”, destaca.

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