Conab pode ter R$ 100 milhões para ampliar armazéns de grãos em 2027

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) poderá contar com até R$ 100 milhões em investimentos para suas unidades armazenadoras de grãos em 2027. O anúncio foi feito pelo presidente da estatal, Sílvio Porto, durante coletiva de imprensa em Brasília.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 já prevê R$ 50 milhões de recursos próprios da Conab para essa finalidade. Para dobrar esse valor, a companhia negocia uma parceria com a Itaipu Binacional, que destinaria a outra metade dos recursos.

Segundo Porto, o objetivo é “ampliar a atuação” da rede de armazéns para a formação de estoques de alimentos. Atualmente, onde não há prédios próprios, a Conab cadastra armazéns e aluga estruturas, pagando tarifas pelo serviço. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a estatal não possui unidade própria e utiliza a rede de terceiros para estocar arroz comprado de agricultores locais.

“Há uma falácia de que alimentos estão mais caros. Os produtos estão em processo de deflação e, no acumulado dos últimos 12 meses, estão bem abaixo da inflação geral do país” — afirmou Sílvio Porto.

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, também presente na coletiva, reforçou que o Brasil vive um processo inverso ao da inflação mundial de alimentos. “Enquanto a FAO demonstra que estamos no maior pico de inflação mundial dos últimos três anos, o Brasil está exatamente em processo inverso, de deflação dos preços dos alimentos”, disse.

Ela destacou que o IPCA dos alimentos acumulado desde 2023 está em 13%, cerca de um quarto da inflação dos quatro anos do governo anterior. “Conseguimos fazer a contenção dos preços a partir de um conjunto de políticas públicas e ações, de política agrícola e de abastecimento alimentar”, pontuou.

Desde 2023, o governo federal já comprou ou apoiou a comercialização de 1,660 milhão de toneladas de grãos. Atualmente, há 300 mil toneladas de arroz em estoque, e houve aquisição ou apoio à comercialização de 860 mil toneladas de milho. O gerenciamento dos volumes é rotativo, com o cereal adquirido sendo vendido a criadores de outras regiões.

Os investimentos em armazenagem visam fortalecer a política de estoques públicos, garantindo preços mínimos e acesso a alimentos para a população.

Deixe um comentário

Powered by Joinchat
Anunciar grátis